Abitrigo pede prazo para se adequar às restrições
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Josiane Schulz Especial para Folha 
Diretamente atingidas pelas medidas do governo para restringir as importações, as indústrias moageiras de trigo encaminharam ao Ministério da Fazenda correspondência solicitando prazo de seis meses para que as novas regras entrem em vigor. Esse prazo seria necessário para viabilizar a normalidade do suprimento do produto, diz a correspondência.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo) - que assina o documento -, Antenor Barros Leal, o governo não pode tratar o trigo como um produto supérfluo. As importações são necessárias, já que a produção nacional não atende a demanda da indústria. O governo agiu de forma errada. São medidas irresponsáveis, afirma Leal. O Brasil deve importar neste ano cerca de 5 milhões de toneladas de trigo. Desse volume, 90% vem da Argentina.
Na correspondência, dirigida ao ministro Pedro Malan, as empresas de moagem deixam claro a intenção de aumentar preços: a abrupta decisão coloca os moinhos de trigo do país em posição financeira muito grave, forçando de imediato providência com relação a preços dos seus produtos, que poderão ciriar impasse aos níveis saudáveis de inflação que o país atravessa. Segundo Leal, só a farinha pode sofrer um aumento de preço de até 30%.
O pesquisador da Área de Economia da Embrapa-Trigo, Roque Gilberto Annes Tomasini, acredita que as medidas são um passo certo para que o agricultor brasileiro volte a se interessar no produção de trigo. Até agora, os triticultores nacionais competiam em condições desleais com o produto internacional. Isso desestimulou o plantio.
Para Tomasini, essas medidas podem garantir mercado ao produtor nacional. E nas vésperas de início de safra - que, pelas estimativas, terá redução de área de plantio - isso pode refletir, no mínimo, na manutenção da área. Além disso, o país tem investido mais de R$ 1 bilhão em importações. É um capital que poderia ficar no Brasil, se os produtores fossem estimulados a plantar trigo, segundo o pesquisador.
O diretor do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, também considera as medidas positivas para o agricultor. São medidas necessárias, que vão colocar os produtores de trigo brasileiros em condições menos desiguais com os de outros países. Isso, com certeza, traz novo ânimo ao agricultor.


