Abipecs diz que protesto de argentinos é uma questão política
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
Ricardo Maia <br>Reportagem local 
O anúncio feito na quinta-feira pelos suinocultores argentinos de bloquear, na próxima semana, dia 27, caminhões brasileiros contendo carne suína na ponte Rosário Victoria, localizada entre os municípios de Santa Fé e Entre Rios, na Argentina, é vista pelo setor produtivo nacional como uma questão política e não econômica. A declaração é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, que afirma que os suinocultores do país vizinho não têm fundamento econômico para justificar essa ação.
Os criadores argentinos estão se queixando do aumento da oferta de carne brasileira no país e acusam o Brasil de vender a mercadoria a um preço muito barato. Porém, o presidente da Abipecs explica que os valores do suíno estão equilibrados e que o País não está pressionando o mercado para baixo. ''Os argentinos fizeram esse mesmo protesto há dois meses e nada aconteceu'', afirma Camargo Neto. Ele acrescenta que o Brasil tem que ignorar esse tipo de manifestação por se tratar, novamente, de uma questão política. No próximo ano, lembra, terá eleição para presidente no país.
Os sindicalistas argentinos declaram que o aumento da oferta brasileira à Argentina prejudicou o mercado. De acordo com os produtores locais, isso fez com que o preço da carne de porco pago ao criador caísse de 7 pesos (R$ 2,66) para 5 pesos (R$ 1,87), por quilo, em um curto espaço de tempo. Uma das propostas colocadas pelos suinocultores argentinos seria limitar as importações brasileiras em 2,5 mil toneladas mensais.
De acordo com dados da Abipecs, o Brasil exportou para a Argentina 3,25 mil toneladas em abril, 3,2 mil em maio e 2,7 mil em junho. De janeiro à junho, o Brasil exportou 19,4 mil/ton, sendo o terceiro principal destino do Brasil. De abril para maio, houve queda de 0,12% nas exportações, e de maio para junho, a queda foi ainda maior (23,81%). Apesar dessa queda, Camargo Neto reforça que o suinocultor brasileiro não será afetado por essa movimentação na Argentina. Mesmo porque, salienta, a Argentina não consegue competir com o Brasil.
Paraná
Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) revela que essa ação pode afetar o mercado interno, mesmo que pouco. Segundo ele, os preços baixos do suíno brasileiro fez com que o País aumentasse suas vendas. Fato que também ocorreu no Paraná.
De janeiro a junho de 2011, as exportações paranaenses de carne suína para a Argentina cresceram sobre o mesmo período do ano passado, 262% em volume e 290% em receita. Nos primeiros seis meses desse ano, o Paraná enviou para a Argentina 376 toneladas de carne, obtendo uma receita de US$ 1,12 milhões. No acumulado de 2010, o Paraná exportou - em volume - 914 toneladas, 760 a mais do que em 2009. Em receita, no mesmo período, o acréscimo foi, em média, de US$ 2,74 milhões, lembrando que 2009 era período de crise econômica. (Com Agência Brasil)


