SÃO PAULO - As projeções da Associcação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) são de recorde de divisas nas exportações do complexo soja em 1997. A entidade estima que a receita este ano ficará em US$ 4,875 bilhões, acima do recorde histórico obtido no ano passado, quando o faturamento foi de US$ 4,458 bilhões. Pela estimativa da Abiove, o aumento no volume de exportações irá compensar a leve retração nos preços do grão e do farelo.
No ano passado, o preço médio do grão ficou em US$ 279/tonelada e para este ano a Abiove trabalha com o preço de US$ 270/tonelada. No caso do farelo, o preço cairia dos US$ 243/tonelada do ano passado para US$ 240/tonelada neste ano. Já para o óleo, a perspectiva é de alta, passando o preço dos US$ 535/tonelada do ano passado para US$ 540 neste ano.
Segundo Fábio Trigueirinho, secretário-executivo da Abiove, a exportação de soja em grão neste ano deve atingir 6,5 milhões de toneladas, volume recorde, com receita prevista de US$ 1,755 bilhão, enquanto no ano passado foram exportadas 3,647 milhões, que proporcionaram receita de US$ 1,018 bilhão. A Abiove prevê para este ano exportação de 10,3 milhões de toneladas do farelo (US$ 2,472 bilhões), abaixo das 11,226 milhões de toneladas exportadas no ano passado (US$ 2,727 bilhões). Para o óleo de soja a previsão é de exportação de 1,2 milhão de tonelada (US$ 648 milhões), contra as 1,332 milhão de toneladas embarcadas no ano passado (US$ 713 milhões).
O maior volume de grão a ser exportado, segundo Trigueirinho, deve-se à lei que eliminou a incidência do ICMS na exportação de produtos primários, a partir de outubro do ano passado. Até então, os produtos derivados tinham taxação difenciada do ICMS, a fim de incentivar o processamento no País, com 11% na exportação do farelo e 9% na exportacão do óleo, enquanto o grão era tributado em 13%.


Aumento no volume
compensa retração
nos preços do
grão e do farelo


Com a nova lei, a soja do Mato Grosso, por exemplo, é isenta do ICMS quando destina-se à exportação e é tributada em 12% quando adquirida por uma indústria do Paraná, por exemplo. Assim, torna-se mais intessante para uma indústria do Paraná adquirir a soja do Paraguai, que é isenta do tributo, afirma Fábio Trigueirinho. Segundo ele, além da questão tributária interestadual, outro entrave é o custo portuário, que é de US$ 9/tonelada em Paranaguá e de US$ 17/tonelada em Santos, para o grão e o farelo, enquanto nos portos argentinos é de US$ 2,50 a US$ 3,00 por tonelada.

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