Abinee aponta retomada de negócios em setembro
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Carla Jimenez<br> Agência Estado 
São Paulo A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) deve rever a previsão de queda real de 5%, já descontada a inflação, nas vendas do setor este ano. A entidade detectou uma retomada dos negócios na sondagem realizada junto aos associados em setembro, o que deve atenuar a redução de vendas.
Ainda que não forneça números dessa retomada, a sondagem apontou que seis dos oito segmentos avaliados pela entidade mostraram um ritmo de recuperação no mês passado. Informática, telecomunicações, equipamentos industriais, automação industrial, utilidades domésticas e componentes elétricos e eletrônicos tiveram melhoria no desempenho das vendas em setembro. Os setores de material elétrico de instalação e de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD) de energia elétrica tiveram desempenho estável.
Sem descontar a inflação, a entidade trabalhava até o final do primeiro semestre com uma expectativa de o faturamento crescer 7% este ano, percentual que deve aumentar um pouco, segundo o levantamento da Abinee. Em 2002 o setor faturou R$ 56 bilhões.
A área de Informática apresentou um incremento nas vendas em relação aos últimos meses beneficiada pelos ganhos com a edição da Medida Provisória 100, que isentou a alíquota do IPI dos computadores até R$ 11 mil e reduziu em 50% a obrigatoriedade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O setor de Automação Industrial registrou também uma retomada dos pedidos, que estavam em compasso de espera até agosto.
Em Telecomunicações, a sondagem da Abinee aponta que até mesmo a área de telefonia fixa está retomando negócios, revelando uma recuperação em ritmo lento, mas já com investimentos apresentados pelas operadoras. Em telefonia celular, as inovações tecnológicas continuam a beneficiar a troca de aparelhos e a manutenção das vendas.
O setor de Equipamentos Industrias também detectou a volta de investimentos com a venda crescente de motores em setembro. Os negócios estão mais aquecidos também na área de Utilidades Domésticas, com a perspectiva favorável para as vendas de bens de consumo no final do ano. Essa perspectiva favoreceu também as indústrias de componentes elétricos e eletrônicos que registraram vendas melhores.
Apenas os setores ligados à área de energia elétrica mostraram a mesma estagnação do mês de agosto, com os investidores da área aguardando definições sobre o novo modelo do setor elétrico. Em GTD, as encomendas continuam paralisadas desde o ano passado.
As empresas da área ainda realizam entregas de pedidos feitos antes da crise. Um pequeno alento veio do leilão de sete lotes de linhas de transmissão, realizado em 23 de setembro, embora o reflexo real das encomendas só venha a ser percebido em meados do ano que vem.
Em material elétrico, as empresas do setor ainda estão sem encomendas em razão do fraco desempenho do setor de construção. A exportação dos eletroeletrônicos também manteve um ritmo crescente em setembro, embora o número fechado não tenha sido divulgado.


