Curitiba - A tendência de crescimento do mercado da indústria de máquinas foi revisada fortemente para baixo, disse ontem o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello. O faturamento do setor para 2004, que tinha a previsão de atingir R$ 40 bilhões, deve atingir no máximo R$ 35 bilhões. Essa redução foi uma ducha de água fria no otimismo dos empresários que frearam a expansão planejada e que embutiam a ampliação da produção e do emprego, admitiu Mello.
Entre os fatores que interromperam a trajetória de alta do segmento, Mello apontou a falta de financiamento para máquinas agrícolas no segundo semestre do ano. De acordo com o industrial, houve um erro na resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que impediu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de liberar o crédito para a compra de máquinas agrícolas. No primeiro semestre o banco liberou uma média de R$ 400 milhões por mês e a partir de julho caiu para zero, quando os produtores pararam de comprar.
O governo só foi corrigir o problema no mês de setembro, que culminou com o período de greves nos bancos e não houve retomada dos financiamentos do Moderfrota e Finame Agrícola, programas que financiam a compra das máquinas agrícolas. Segudo Mello, ''ocorre que o mercado é sazonal e passou a época ideal para os produtores comprarem máquinas para o plantio''.
Nos demais setores, a indústria de máquinas vem sentindo o impacto do forte aumento no preço do aço, que este ano já subiu 75%. Esse aumento pegou os fabricantes no contrapé já que não conseguiram repassá-lo às empresas consumidoras, disse Mello. Ele protestou contra esse aumento, alegando que ser ''incompatível com os níveis anuais de inflação, em torno de 8%''.
Para o industrial, o aumento no preço do aço vem paralisando muitos negócios porque os fabricantes de máquinas não conseguem manter os contratos. Segundo Mello, máquina industrial não é produto de prateleira, sendo que são necessários no mínimo dois meses para fabricar e entregar o bem. Muitos demoram até 1,5 ano de fabricação.''Nesse caso o preço fixo dos contratos é incompatível com o aumento descabido do principal insumo'', alegou.
Outro fator de insegurança para a indústria de máquinas vem da queda do câmbio, que vem gerando dois problemas sérios ao setor. De um lado, a queda no câmbio tira a competitividade na exportação e restringe as encomendas. De outro, o câmbio depreciado interrompe o processo de substituição das importações de máquinas, salientou.

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