Abima quer aumentar consumo de massas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de setembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo A Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima) espera fechar 2003 com uma ligeira expansão, mesmo tendo revisto para baixo sua projeção de crescimento. O desempenho é resultado de uma campanha de marketing de esclarecimento lançada pela Abima em 2002 com o objetivo de quebrar preconceitos em torno do consumo de macarrão. Os resultados, na visão dos executivos da associação, já começaram a surgir e animam as perspectivas do setor.
Sem revelar os investimentos, a Abima elegeu a mídia tradicional para tentar desvincular o macarrão de mitos como o de que o alimento engorda, e também de que a massa só pode ser consumida com molho branco ou vermelho. Ou ainda de que seu consumo está ligado a ocasiões especiais, como o almoço de domingo da família.
Para tanto, tem usado revistas populares para divulgar informações e receitas com a massa, e explorado a televisão, por meio de merchandising em programas vespertinos voltados à dona-de-casa. Além disso, mantém o site na Internet ''Eu Amo Macarrão'', que também traz informações e receitas com macarrão e conta com quatro mil usuários cadastrados.
''Já conseguimos um grande avanço com essas ações, especialmente no que diz respeito à idéia de que o macarrão engorda'', afirma o gerente de marketing da Abima, Alexandre Rodriguez. ''Isso significa que construímos uma base maior e bastante interessante para que o consumo deslanche.''
Segundo o executivo, o mercado de massas se manteve estável em 2002 em relação ao exercício anterior, movimentando 1 milhão de toneladas, que representou faturamento de R$ 2,1 bilhões. No primeiro semestre deste ano, a situação de estabilidade se repetiu em relação a igual período do ano passado.
Mas Rodriguez conta que ainda se mantém a expectativa de retomada de crescimento nos volumes comercializados de macarrão ainda neste ano. Até mesmo porque já há indícios de que a situação macroeconômica do País tende a melhorar nos próximos meses. ''Esperávamos crescer de 8% a 10% neste ano, mas estamos revendo para baixo essa projeção'', admite Rodriguez. ''De qualquer forma, posso afirmar que conseguiremos ao menos um pequeno crescimento ao fechar este ano.''
Segundo Rodriguez, um dos grandes responsáveis pela revisão de meta foi o Programa Fome Zero, ''que não deslanchou como a indústria esperava''. Segundo ele, o consumo per capita de macarrão no País ainda é muito baixo (5,7 kg por ano) em relação a países da América Latina, que em média consomem de 8 a 9 kg/ano. Para efeito de comparação, o maior consumo vem da Itália (28 kg/ano), seguido pela Venezuela (12 kg/ano).
A meta da Abima é a de que em menos de cinco anos esse consumo chegue a pelo menos 8 kg/ano. Segundo Rodriguez, o setor está preparado para atender a esse aumento de consumo, até porque tem operado com uma ociosidade muito grande, em torno de 30%.


