Salvador A indústria de café quer aumentar o consumo do produto no Brasil nos próximos três anos em 20%, passando dos atuais 13,5 milhões de sacas processadas anualmente pelas torrefadoras para 16,5 milhões. Atualmente o consumo per capita no País chega a 65 litros por ano, pouco diante da potencialidade do mercado brasileiro, acredita o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Guivan Bueno, que participa do 5º Simpósio Nacional do Agronegócio do Café, na capital baiana.
A ABIC lançou recentemente o Programa de Aumento do Consumo Interno de Café para convencer o consumidor a beber mais o produto, melhorando sua qualidade. ''Fizemos uma sugestão específica ao Conselho de Deliberativo da Política do Café, órgão que reúne toda a cadeia do café desde a lavoura, exportação, indústria e solúvel além de órgãos do governo, de adoção imediata desse programa na maior amplitude possível'', informou.
Uma grande campanha publicitária prevê investimento de R$ 45 milhões, R$ 15 milhões ao ano. Segundo Bueno, o novo programa é tão ambicioso quanto o lançamento do Selo de Pureza da ABIC, há 13 anos, que aumentou em 100% o consumo per capita do café no Brasil. ''Atuaremos em duas frentes: com um programa de educação voltado para o mercado e consumidores para mostrar que café não é tudo igual; e no plano de marketing para estimular o consumo'', disse.
A Abic sugeriu que o café integre a cesta de alimentos do Fome Zero e os demais programas sociais do governo federal, como o da merenda escolar, onde seria servido com leite. ''A idéia é criar na criança o hábito de consumir café'', disse o presidente da Industria de Café do Estado de São Paulo e diretor-executivo da ABIC, Natan Herszkowicz.
Os 13,5 milhões de sacas de café vendidos no Brasil no ano passado renderam para toda a cadeia do setor cerca de R$ 2,5 bilhões. As vendas externas foram bem menores: em 2002, o Brasil exportou cerca de US$ 6 milhões, o que representa menos de 0,5% do mercado mundial de café moído e torrado, um quadro que a ABIC quer mudar.
''Os Estados Unidos, a Itália e a Alemanha lideram as vendas de café industrializado sem plantar o produto, comprando café in natura dos países produtores'', lembrou Bueno, justificando que o Brasil não integra esse primeiro time, apesar de ser o maior produtor mundial de café, porque somente nos últimos anos modernizou a sua indústria de beneficiamento do produto.

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