Arquivo FolhaGolpe mortal‘‘Ficamos com tarifa de Primeiro Mundo e taxa de juros de décimo mundo’’, afirma o ministro Dornelles

O ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles, admitiu ontem a empresários reunidos na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que a abertura da economia foi feita de maneira estabanada, sem levar em consideração seus efeitos sobre a indústria. ‘‘Tivemos uma abertura, como falou o Vidigal (ex-presidente da Fiesp), estabanada, repentina e apressada’’, afirmou o ministro. ‘‘Na hora de fazê-la, não medimos as consequências para a indústria.’’
Dornelles fez ontem uma análise otimista sobre as perspectivas para a economia este ano, num seminário sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O ex-presidente da Fiesp Luis Eulálio de Bueno Vidigal Filho, que participou do eventou, criticou a abertura econômica para estimular as importações.
O ministro reconheceu que algumas medidas foram nocivas à produção. As tarifas de importação, lembrou Dornelles, caíram de 34% para 12% mas os juros ficaram os mais altos do mercado internacional. ‘‘Ficamos com tarifa de Primeiro Mundo e taxa de juros de décimo mundo’’, observou. ‘‘Isso foi mortal para a indústria.’’

‘Podemos vender
frutas e pesca
para o mercado
internacional’


A inflação, previu Dornelles, pode ficar em 6% no ano. O ingresso de capital estrangeiro, que chegou a US$ 9 bilhões no ano passado, deve chegar a US$ 16 bilhões se o programa de privatização andar no ritmo esperado pelo ministro. ‘‘Além disso, a safra agrícola vai ser boa e o PIB terá um crescimento de 5%’’, previu. A situação das contas públicas, na sua opinião, poderá melhorar também com as privatizações e os juros devem ficar abaixo de 1996.
O problema da balança comercial, o governo vai tentar resolver com estímulos à exportação, indicou o ministro. Os resultados das medidas tomadas no ano passado para beneficiar as exportações, segundo ele, vão começar a aparecer na balança comercial nos próximos meses. Mas o ministro evitou fazer previsões de crescimento das exportações. ‘‘Sempre acerto as previsões porque não costumo fazê-las’’, ironizou.
Dornelles garantiu, no entanto, que o governo deve adotar novas medidas para estimular as exportações, mas citou como exemplo concreto apenas a criação de novas linhas de financiamento para os exportadores pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Dornelles disse ainda que a sua intenção é ampliar o número de empresas exportadoras e diversificar os produtos exportados. ‘‘Existem setores que poderiam, mas não estão exportando’’, afirmou. Entre eles, o ministro citou frutas e pesca.

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