A maior vulnerabilidade externa da economia brasileira foi o ponto mais enfatizado na análise sobre os efeitos da abertura econômica para a indústria nacional, durante o 13º Fórum Nacional, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos.
A maior oferta de produtos e os ganhos de produtividade, principais aspectos positivos, foram insuficientes para fazer frente à concorrência nos segmentos mais dinâmicos da economia global, para Paulo Furtado de Castro, do Instituto de Planejamento e Economia Aplicada (Ipea). Segundo Castro, aumentou a fragilidade nas contas externas e houve perdas qualitativa e quantitativa nos empregos industriais.
Segundo pesquisa do Ipea, o peso da indústria de transformação no PIB (soma de todos os bens produzidos no País), que era de 26,5% em 1990 e atingiu o máximo de 29% em 1993, vem decrescendo (20,3% em 1998).
Ao analisar o fluxo de investimentos diretos estrangeiros, o economista Antônio Corrêa de Lacerda, da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet), disse que há um desequilíbrio na balança de serviços.
O passivo externo líquido (todos os compromissos em dólar no País, que têm de ser remunerados) cresceu de US$ 178 bilhões em 1993 para US$ 355 bilhões em 2000 (mais de seis vezes as exportações anuais). A previsão é chegar a US$ 382 bilhões neste ano.
Esse passivo exige remessa de juros, lucros e dividendos que, segundo a Sobeet, devem atingir US$ 20 bilhões neste ano.
Para o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, o investimento direto é o único que deve ser estimulado: ‘‘Já estamos excessivamente endividados’’.
Ricardo Markwald, diretor da Fundação de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), disse que vê efeitos bastante positivos na área da produtividade e negativos em termos de emprego.
O economista Paulo Nogueira Batista Jr., professor da Fundação Getúlio Vargas, destacou a importância da discussão sobre a Alca e criticou o governo pela crise de energia.

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