Abertura de importação da Rússia exige cautela
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quinta-feira, 07 de agosto de 2014
Antonio Pita<br>Agência Estado 
Rio - A abertura da Rússia aos produtos agrícolas brasileiros, como carnes e produtos lácteos, poderá esbarrar na falta de capacidade dos fornecedores para atender a demanda de curto prazo. A avaliação é do próprio governo federal, que adotou cautela ontem ao avaliar a decisão russa de ampliar as importações de produtos alimentícios do País. Em retaliação às sanções impostas pela Europa e Estados Unidos, o presidente Vladmir Putin decidiu restringir as importações desses países.
O secretário-executivo do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Daniel Godinho, avalia que é cedo para especular ganhos e que é preciso estudar a capacidade dos fornecedores para a nova demanda. Já o ministro Mauro Borges, minimizou o impacto da medida para fornecedores brasileiros. Para ele, o mercado de alimentos já é "propício" ao País.
O secretário avaliou que o mercado russo é "enorme", mas pediu "serenidade" dos fornecedores antes de uma definição sobre novas encomendas. "Não há o que especular agora... É preciso fazer um estudo para saber quais produtos podemos oferecer no curto prazo. Vamos conversar com o setor privado para ver", reforçou.
Já o ministro afirmou não ver efeito "significativo" na abertura do mercado. "Acredito que esse efeito não é significativo para ampliação do mercado brasileiro. Já temos amplo mercado de exportação agrícola para o mundo, não acredito que essa medida de retaliação da Rússia em relação a seus parceiros vá afetar o mercado brasileiro", afirmou Borges.
Uma missão brasileira do Ministério da Agricultura retornou ontem de Moscou onde discutiu detalhes sobre uma nova cooperação comercial entre os países. Os enviados brasileiros apresentaram medidas tomadas pela indústria brasileira para atender as exigências sanitárias da Rússia, fator que limitava as exportações.
A cautela do governo confirma receio dos produtores que avaliam não ser possível aumentar imediatamente a oferta de produtos para exportação. O alvo russo são produtos como carnes, peixes, frutas e verduras, além de lacticínios. No mercado de carnes, a preocupação é maior para a carne suína e para os frangos, que atendem prioritariamente ao mercado doméstico.
A Rússia já representa 35% das exportações brasileiras de carne suína, movimentando US$ 336 milhões no primeiro semestre deste ano. Ela também é a segunda maior consumidora de carne bovina brasileira. Em relação ao frango, o País exporta apenas 35% de sua produção, priorizando o consumo doméstico. A nova demanda, além de pressionar os frigoríficos, poderá ampliar os preços no mercado interno.
Moscou também busca parcerias com Argentina, Chile e Equador, como forma de compensar as sanções impostas pelos países desenvolvidos. A Rússia confirmou o embargo às importações dos produtos de países da União Europeia, Estados Unidos, Noruega, Austrália e Canadá.


