Abertura de empresas supera fechamento em Londrina
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quarta-feira, 01 de fevereiro de 2017
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

Empreender tem sido um dos caminhos apontados por consultores econômicos para fugir do desemprego. E Londrina tem seguido essa tendência, contrapondo o que vem acontecendo no Estado. Segundo dados da Junta Comercial do Paraná, embora tenha crescido o número de empresas que fecharam as portas no ano passado em relação a 2015 no município, o nascimento de novos negócios ainda supera o índice de mortalidade empresarial.
Foram abertas 7.591 empresas na cidade em 2016, ao passo que 3.025 tiveram as atividades encerradas. A diferença foi maior em 2015 7.306 abertas contra 2.524 fechadas. O setor de serviços é o que vem impulsionado o número positivo de surgimento de novos empreendimentos em Londrina.
No Paraná, o número de encerramento de CNPJ caiu no ano passado, mas ainda foi maior do que o de abertura em relação a 2015. Em 2016, nasceram 39.481 empresas, e foram fechadas 40.354. No ano anterior, foram 38.383 novas empresas e 41.645 que tiveram as atividades encerradas.
"Os negócios pequenos começam a aumentar. Em época de crise, o ramo de serviço se destaca, porque você não precisa de estoque. Por exemplo, percebemos um crescimento no número de empresas de contabilidade. Você consegue começar uma empresa com menor capital", comenta o presidente do Sindicato dos Contabilistas de Londrina (Sincolon), Geraldo Sapateiro.
Ele afirma que no modelo de Microempreendedor Individual (Mei), os setores de alimentação e serviço também registraram um impulso. "O perfil desse microempreendedor é o pintor, o vendedor de cachorro quente, aquele que faz manutenção de ar condicionado. Pessoas que não vão ter um faturamento muito alto, mas o suficiente para fazerem o próprio salário", pontua.
Necessidades básicas
O setor de Serviço deve continuar em alta em 2017. Segundo um estudo do Sebrae, abrir um negócio no ramo da alimentação, vestuário e conserto será a opção de muitos empreendedores brasileiros. Pesquisa elaborada pelo Sebrae, com base no perfil de novas empresas surgidas em anos anteriores e no comportamento da economia nacional, revelou que os empreendimentos que atendem às necessidades básicas e que oferecem serviços de reparação, além de serviços especializados que permitem a redução de custos operacionais a outras empresas, estão entre as atividades mais promissoras para este ano.
Burocracia
Mas para impulsionar a criação de novas empresas, Sapateiro afirma que é necessário rever as regras para abertura de uma empresa. Atualmente, de acordo com ele, se o negócio precisar de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), poderá demorar até seis meses para conseguir aprovação na Prefeitura. Sem o EIV, o processo é concluído em até 10 dias.
O assunto foi debatido nesta última terça-feira (31) na Câmara de Vereadores pelo Sincolon, Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícia, Informação e Pesquisas e de Serviços Contábeis (Sescap), Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Sebrae e Prefeitura. "Pretendemos encontrar uma forma de simplificar e que o EIV ande com mais agilidade", afirma o presidente do Sincolon.
De acordo com o diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e do Ippul, Nado Ribeirete, a intenção da administração municipal é desburocratizar o precedimento de abertura de empresas. Ele afirma que foi montada uma equipe para avaliar os principais gargalos do processo.
"Há um excesso de leis e muitas desatualizadas. Também precisamos ver a questão do zoneamento. Hoje, por exemplo, nenhum dos 136 processos de EIV para aberturas de oficinas mecânicas ou venda de peças apresentou impacto", ressalta Rieirete. O presidente da Codel afirma que a burocracia faz o município perder arrecadação, por isso, a intenção da equipe de trabalho é encontrar os gargalos e evitar a morosidade.


