Sucursal de CuritibaBernhoef: ‘‘Empresário troca colunas sociais por páginas policiais’’As novas regras de gestão empresarial e a abertura das relações comerciais entre os países começam a provocar uma mudança no perfil das tradicionais empresas familiares. Os grupos que ainda se recusam a abrir o capital para novos acionistas ou que continuam a gerir o negócio, misturando as relações familiares, estão desaparecendo de maneira lenta e gradual. Somente no ano passado 397 empresas familiares foram incorporadas, fundidas ou tiveram associação com outros grupos.
As empresas que deixaram de ser apenas familiares giraram R$ 13,2 bilhões. Somente neste ano, houve outras 198 aberturas ou fusões das empresas. A redução das empresas é um fenômeno recente, que começou a se intensificar após a estabilidade econômica, quando a maioria dos grupos teve de se adaptar às novas relações comerciais.
Uma pesquisa feita nos últimos balanços do jornal ‘‘Gazeta Mercantil’’ mostra que houve uma queda de 8% no número de empresas familiares que estão entre os 300 maiores grupos privados do País. O balanço de 1994 mostrava que 287 das 300 maiores empresas pertenciam a famílias. Um ano mais tarde, a gestão familiar estava presente em 265 empresas.
O consultor e empresário Renato Bernhoef, diretor das Organizações Bernhoef & Associados, avalia que a mudança no estilo das empresas é um caminho sem volta. ‘‘A tendência não é o fim das empresas familiares, mas sim uma reciclagem geral’’, afirmou o consultor. Bernhoef esteve ontem em Curitiba para um seminário sobre Formação de Sucessores, evento organizado pela empresa L&L Agência de Desenvolvimento Humano e Cultura.
Para o empresário, o segredo está em dissociar as relações familiares dos assuntos empresariais. ‘‘Um dos problemas é usar a empresa para serviço da família’’, afirmou Berhoef. Outro fator que deve ser considerado como empecilho é o fato de o número de herdeiros crescer em progressão maior que o lucro da empresa. Quando as questões familiares se misturam começa a crise, diz. ‘‘A maioria destas empresas sai da coluna social para as páginas policiais’’, brinca.

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