Uma discussão que deveria restringir-se ao campo do direito ganhou nuances políticas num ano de eleições municipais. O funcionamento do comércio de Londrina nas tardes de sábado serve de munição para grupos rivais que disputam o apoio popular.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), David Dequêch Neto, afirma que o prefeito Nedson Micheleti (PT) está usando o Código de Posturas do Município como palanque eleitoral. ''Ele não pode usar essa lei para constranger e ameaçar os empresários. Para essa atitude cabe até enquadramento criminal'', disse Dequêch, que também critica uma suposta perseguição aos comerciantes do centro da cidade.
Para Uzier de Carvalho, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), essa posição ''agressiva'' da Acil não é o melhor caminho para solucionar o problema. ''Conforme a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) quem legisla sobre o assunto é o município e, por isso, preferimos buscar o entendimento'', justificou Carvalho, que taxa de ''desobediência civil'' o incentivo ao funcionamento das lojas em horário proibido pelo Código de Posturas. Na opinião de Dequêch, ''a falta de ousadia do Sincoval só prejudica a categoria''.
Segundo José Lima do Nascimento, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, a comissão e as horas-extras recebidas nos sábados à tarde incrementa pouco o salário dos comerciários. ''As vendas realizadas nesse período seriam efetuadas durante a semana se o horário não fosse estendido''.
A participação de consumidores da região é o argumento da Acil e Sincoval na defesa da ampliação do horário comercial. De acordo com Dequêch, o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) usado nas transações a prazo registrou 10.687 consultas no último sábado, das quais 4.902 foram feitas até às 13 horas e 5.785 das 13h às 18h.
O secretário municipal da Fazenda, Wilson Sella, não quis comentar as críticas feitas pelo presidente da Acil e afirmou que espera um acordo entre os sindicatos de patrões e empregados. ''Enquanto isso não acontecer, somos obrigados a exigir o cumprimento da lei, fiscalizando e autuando sempre que a lei estiver sendo desobedecida'', arrematou.®MDBO¯(BR)
®MDNM¯

mockup