Aberto canal para investidor se manifestar sobre Sercomtel
‘Data room virtual’ está disponível no site da Prefeitura; privatização está prevista para a primeira quinzena de dezembro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
‘Data room virtual’ está disponível no site da Prefeitura; privatização está prevista para a primeira quinzena de dezembro
Nelson Bortolin - Grupo Folha 
Os sócios da Sercomtel, o Município de Londrina e a Copel (Companhia Paranaense de Energia) publicaram no final da tarde desta quinta-feira (24) o ‘data room virtual’ para a venda da empresa londrinense de telecomunicações. A ferramenta, que está no site da Prefeitura, é destinada a possíveis interessados no leilão que deve ser realizado na primeira quinzena de dezembro.

O data room estará disponível até dois dias antes do leilão. Por meio dele, e mediante o pagamento de uma taxa de R$ 5 mil, os investidores poderão consultar documentos, conversar com representantes da empresa e agendar visitas à sede da Sercomtel.
De acordo com o manual de procedimentos disponível para todo internauta, as dúvidas e solicitações de informações deverão ser enviadas até dez dias antes da realização do leilão e as visitas a empresa agendada até 15 dias antes. A data da privatização será divulgada “oportunamente”, segundo a Prefeitura. O manual diz que todos os contatos com a empresa deverão ser feitos em português e possíveis investidores que não falam a língua oficial do Brasil deverão contratar intérpretes.
O presidente da Sercomtel, Cláudio Tedeschi, afirma que a empresa ficou mais atrativa nos últimos dias devido a dois fatores. Um é a provação do projeto de lei 79, que desobriga as concessionárias de devolverem à União os bens necessários para o funcionamento do serviço. E outro é uma decisão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que, segundo Tedeschi, vai permitir frequências específicas e regionais da tecnologia 5G para as pequenas e médias operadoras de telecomunicações. A tecnologia deve chegar ao Brasil em 2021.
“Acreditamos que melhorou bastante a atratividade da empresa. Daqui a 10 ou 15 dias já teremos uma noção disso”, afirma Tedeschi, se referindo devido à abertura do data room. Questionado se a sociedade londrinense e os funcionários da empresa estão aceitando a privatização, ele respondeu: “A questão não é a Sercomtel. O que acontece é que, no Brasil, esgotou-se o modelo de Estado investidor. Isso não existe mais. O Estado tem de cuidar de saúde, educação e segurança.”
A venda da Sercomtel foi autorizada pelo Legislativo municipal em junho deste ano. De acordo com a lei, a privatização poderá ser realizada por meio da alienação da participação societária, inclusive de controle acionário; ou ainda por meio de aumento de capital social, com renúncia ou cessão total ou parcial do direito de preferência, sob a forma de licitação, leilão em Bolsa de Valores ou em outros meios legalmente previstos. O município tem 55% das ações da empresa e a Copel, 45%.
A telefônica passar por um processo de caducidade de sua concessão para explorar telefonia fixa aberto pela Anatel. O órgão regulador entende que a Sercomtel não tem como se manter sustentável com os sócios atuais.
Segundo o último balanço da companhia, seus passivos de curto e longo prazos chegam próximos de R$ 220 milhões, valor equivalente à receita bruta do ano passado.


