Aberta bolsa de apostas para nova taxa
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de abril de 1998
Agência Estado 
Nesta semana mais curta por conta do feriado da Semana Santa, o mercado financeiro vai trabalhar na expectativa da definição do novo nível das taxas de juros, que será anunciado no dia 15, data da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. O agravamento da crise japonesa, na semana passada, fez com que parte dos analistas passasse a acreditar que o Copom poderá ser mais conservador do que se esperava.
Antes, os analistas apostavam que a TBC (o piso do juro) cairia dos atuais 28% ao ano para algo em torno de 22% ou 24%. Agora, há quem entenda que a redução será mais suave.
O diretor de Distribuição de Produtos do Banco Matrix, Celso Portasio, ainda acredita que a nova TBC deverá ficar entre 23,5% e 24% ao ano. Mesmo com essa nova queda, ele diz que o investimento em renda fixa continua interessante. Mas, ainda que o juro real pago por aplicações como caderneta, fundos e CDBs permaneça atraente, os investidores um pouco mais arrojados começam a deslocar parte de seus recursos da renda fixa para a renda variável, com o objetivo de obter ganhos mais expressivos.
As perspectivas para o investimento em ações são bastante positivas. Portasio, por exemplo, entende que, nos próximos seis meses, o investimento em ações deve bater a renda fixa. Ele aponta o programa de privatizações como um dos principais fatores que devem dar alento às ações nos próximos meses. Além das privatizações e da queda dos juros (que sempre beneficia o investimento em ações), um cenário externo menos tumultuado também tem ajudado as Bolsas. Para o diretor do Matrix, passados alguns meses da crise do Sudeste Asiático, os investidores estrangeiros estão avaliando de forma mais detalhada as situações analisando cada país de forma individualizada, e não mais em bloco, como ocorreu em outubro de 1997. Com isso, ficam realçadas as diferenças da economia do Brasil em comparação com a de outros países emergentes. Por enquanto, ainda é difícil saber se o agravamento da crise japonesa terá efeitos sobre outras economias. O bom desempenho da Bolsa de Nova York também tem dado alento aos mercados acionários internacionais. Segundo Portasio, o nível de atividade da economia norte-americana continua forte, o que deve fazer com que o índice Dow Jones prossiga em alta.


