Abegás quer reduzir preços de gás
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quinta-feira, 31 de outubro de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Natural (Abegás) e 29 distribuidoras de vários Estados estão procurando alternativas para fazer com que a Bolívia reduza o preço do gás natural comercializado para o Brasil. O consumo atual no País é dividido entre a produção nacional que atende 50% da demanda e o gás boliviano, que é consumido pelos três Estados do Sul, Mato Grosso do Sul e parte do Estado de São Paulo.
O gás boliviano, no entanto, custa 66,33% a mais do que o produto brasileiro e 40,56% a mais do que o gás natural produzido pela Argentina, outra opção de fornecimento que começa a ser estudada pelo Brasil. A possibilidade do País construir um novo gasoduto entre a Argentina, na fronteira com Uruguaiana, e Porto Alegre (RS) foi inclusive citada pelo presidente da Abegás, Cícero Ernesto de Souza, que esteve na Bolívia na última quarta-feira para negociar uma redução dos preços com o ministro de Hidrocarburos da Bolívia pasta semelhante ao Ministério da Energia , Fernando Illanes De La Riva.
''Acredito que o governo boliviano ficou sensível à nossa reivindicação'', afirmou Souza, em reunião do Conselho e Diretoria da Associação, que está sendo realizado em Curitiba desde ontem. De um lado, a Bolívia não quer perder o mercado brasileiro, que importa 100% de sua produção. Já para o Brasil, construir um novo gasoduto a partir da Argentina, significaria um investimento de US$ 270 milhões. ''É um investimento muito alto'', reconhece o presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagas), Antonio Fernando Krempel.
As três distribuidoras de gás natural que atendem os estados do Sul do País (Sulgas, SCGas e Compagas) reclamam que estão perdendo competitividade com esta situação. De acordo com Krempel, em 2001, devido à diferença de preço, as três empresas deixaram de vender 6 milhões de metros cúbicos de gás por dia, porque muitas indústrias substituíram o gás natural por outras matrizes energéticas como o gás liquefeito de petróleo (GLP) e a lenha.
Mesmo com os altos preços, Krempel afirmou que um dos objetivos é ampliar o mercado do gás natural para uso em condomínios. Até agora dois edifícios no Bairro Ecoville, em Curitiba, adotaram o sistema. As 18 distribuidoras filiadas à Abegás vendem 27 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Os maiores usuários, no Brasil, são as indústrais e veículos. No Paraná, o gás natural representa 3% da matriz energética utilizada sendo a indústria termoelétrica a maior usuária. A meta, de acordo com Krempel, é chegar a 10%.


