Brasília - O Brasil está livre de passar por uma crise no setor de crédito imobiliário semelhante à que ocorre atualmente nos Estados Unidos, segundo o superintendente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Pereira Gonçalves, em entrevista à Agência Brasil.
''Os mercados de crédito brasileiro e americano são muito diferentes'', diz Pereira. Ele explica que o Brasil utiliza, para financiamento da casa própria, recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da poupança, ''que são bastante seguros e atualmente têm recursos em abundância para ser aplicados''.
No caso norte-americano, o imóvel é financiado com dinheiro do mercado secundário, em que os bancos emprestam o dinheiro e transformam essa dívida em títulos vendidos a outras instituições. A crise estourou porque uma grande quantidade de empréstimos foram feitos no grupo do subprime, de altíssimo risco, com tomadores que não são obrigados a apresentar documentos que assegurem o pagamento da dívida, como comprovante de renda. Muitas pessoas e grupos com histórico ruim de pagamento fazem parte desse mercado.
No Brasil, ao contrário, além de o processo incluir a exigência de várias garantias, o crédito imobiliário não passa pelo mercado secundário. ''Nosso sistema não tem nada a ver com esse modelo'', afirma Pereira Gonçalves. ''O nosso mercado de crédito é uma coisa mais estável, por isso não estamos observando nenhuma possibilidade de qualquer impacto da crise americana.''
A Abecip mantém as projeções para o setor, neste ano, de que o volume de operações contratadas com recursos das contas de poupança no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) deverá somar R$ 15 bilhões.

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