SÃO PAULO - Investimentos de R$ 136 bilhões em infra-estrutura até o ano 2000 vão resultar na criação de 78 mil empregos diretos e mais 300 mil indiretos, segundo a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). O levantamento foi feito com base em projetos em andamento ou que serão executados nos próximos quatro anos, considerados viáveis por técnicos da entidade e do Ministério de Ciência e Tecnologia. As empresas, no entanto, vão precisar de mão-de-obra muito especializada e devem importar parte dela, informou José Augusto Marques, presidente da Abdib.
Foram catalogados 927 projetos viáveis. Com os que já estão sendo desenvolvidos, serão criados 25 mil postos de trabalho entre este e o próximo ano. Mais 53 mil vagas devem ser abertas no final deste século e início do próximo. ‘‘Calculamos mais 300 mil indiretos porque o setor de infra-estrutura agrega outros segmentos ligados à prestação de serviços’’, explicou Marques. Pelo menos 30% dos novos cargos vão ser preenchidos por profissionais superespecializados, calcula.
A indústria, cita o empresário, vai precisar de profissionais capacitados para operar plantas termelétricas, estações de tratamento de água e esgoto e sistemas de transportes eletrificados. Por isso, a Abdib pretende estabelecer convênios com universidades e escolas técnicas de todo País para treinar os brasileiros.
Mas só esses programas vão ser insuficientes para capacitar a mão-de-obra nacional e, segundo Marques, será preciso trazer profissionais de outros países. Sua estimativa, no entanto, é que não será preciso importar mais do que 2% da mão-de-obra. Mas ele lembrou que o País não desenvolveu tecnologia para alguns setores, como o portuário.
A maior parte dos recursos (US$ 40 bilhões) vai para a energia elétrica. Petróleo e gás vão ficar com US$ 31,4 bilhões, transportes com US$ 31,8 bilhões, mineração e cimento com US$ 6,8 bilhões, saneamento com US$ 7,9 bilhões e papel, celulose e siderurgia com US$ 18 bilhões. São Paulo vai receber US$ 39 bilhões, o Rio de Janeiro US$ 26,3 bilhões, Minas Gerais US$ 10,4 bilhões e Rio Grande do Sul US$ 7,1 bilhões. O restante vai para o Norte e Nordeste.
As maiores obras em andamento ou início de execução são a hidrelétrica de Itá, em Santa Catarina, onde serão aplicados US$ 760 milhões, e a quarta linha do Metrô de São Paulo, que vai receber US$ 1,5 bilhão.

mockup