ABDI vai implantar hospital inteligente em Londrina
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quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 

Londrina terá o primeiro Hospital Inteligente do Brasil. A afirmação é do diretor Miguel Antonio Cedraz Nery, da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) que participou do 2º Simpósio Inova Saúde (Ensino, Pesquisa e Inovação), realizado nesta quarta-feira (24) no Aurora Shopping. Ele ressaltou que a agência está se instalando na cidade e que pretende implantar em Londrina a experiência piloto do hospital inteligente, que será inicialmente uma unidade ambulatorial em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). "Meses atrás, estive em Londrina e assinamos um acordo de cooperação técnica com a prefeitura, e com base nesse acordo a ABDI instalaria um laboratório e desenvolveríamos um projeto piloto com as instituições parceiras", destacou.
A partir desse plano de trabalho a ABDI implantará as soluções possíveis, que podem ser desde a informatização do cadastro do paciente, a relação médico/paciente e o conjunto de anamnese para que o paciente tenha o melhor atendimento. "Pretendemos desenvolver e testar soluções que inclusive devem ser espelhadas para o restante do País", apontou. Ele ressaltou que 12 municípios de todo o Brasil disputaram para ter essa experiência piloto, mas em Londrina há um status universitário de pesquisa que permite integrar os profissionais.
"A escolha de Londrina não é ao acaso, porque os que já são capacitados na cidade podem contribuir para o desenvolvimento do projeto. É uma experiência inédita que faremos em Londrina e em Caxias, do Maranhão. Identificamos que são realidades distintas e a ABDI achou razoável testar nessas duas cidades. Londrina por suas características dará uma contribuição muito mais significativa. Caxias tem uma realidade bem diferente de Londrina, que servirá como um laboratório na ponta", destacou.
Ele explicou que as ferramentas já estão desenvolvidas e a cada dia são criadas outras. "A internet das coisas, o sensoriamento e a telemetria já são uma realidade. Mundo inteiro já usa essas tecnologias e o Brasil está até atrasado. Vamos buscar soluções e desenvolver sistemas caso a caso utilizando e adaptando essas soluções tecnológicas como base. O desafio é integrá-las num sistema para que possa ser utilizado no Brasil", declarou.
Ele exemplificou que atualmente anamnese é feita em prontuário físico e é guardada em um arquivo físico também. "Mas se esse arquivo for informatizado em um big data center, vai ter outro nível de caracterização. O médico terá acesso a todo esse histórico do paciente de forma digitalizada e poderá prescrever o melhor tratamento clínico para garantir a saúde do paciente", declarou.
O termo de compromisso foi firmado na gestão de Nado Ribeirete à frente da Codel. Ele informou à reportagem que tinha se comprometido a arrumar uma área para a ABDI no centro tecnológico que seria concluído, mas logo deixou a administração. Quem assumiu foi Bruno Ubiratan, que foi procurado, mas não respondeu sobre o andamento do processo.
A criação de um hospital inteligente, faria com que os gastos sejam reduzidos e ajudaria a minimizar acidentes, já que antes mesmo dos problemas ocorrerem, os dados contribuiriam para que isso não ocorra.
A Santa Casa de Londrina, por exemplo, possui algumas inovações tecnológicas que foram implementadas e que contribuem para isso. O superintendente da Iscal (Irmandade da Santa Casa de Londrina) e presidente do Sindicato dos Hospitais de Londrina, Fahd Haddad, declarou que é preciso aproveitar a tecnologia para benefício da sociedade. "Nosso prontuário eletrônico montamos com recursos próprios. Economiza dinheiro e economiza vidas. Mas o custo do pioneirismo é grande. Anos atrás uma calculadora custava muito dinheiro e hoje é dada até de brinde. No começo a tomografia era muito cara e hoje esse custo já caiu", afirmou. Ele ressaltou que a Santa Casa também possui o robô Laura, uma plataforma de inteligência artificial em gestão de risco, que ajuda a salvar vidas da sepse.
"Essa integração de informações que eles pretendem implantar em uma UPA é importante. A transmissão de dados do Samu para os hospitais é útil, principalmente em uma transferência de pacientes. É um sonho nosso de muitos anos que haja uma integração de dados com a central de leitos, se possível em nível regional e até estadual. Por isso estamos tentando disseminar essa cultura nesse seminário. Lançamos aqui o Núcleo de Inovação da Santa Casa para que as ideias que as pessoas tenham possam ser executadas de fato", apontou.
O professor da PUC e coordenador da aceleradora de startups Hotmilk, Cristiano Teodoro Russo, destacou que de cinco startups no segundo ciclo da empresa, uma investe em tecnologia em saúde. "Ela é capitaneada por um aluno de medicina da PUC em associação com pessoas ligadas à tecnologia. Eles querem usar o blockchain para análise de dados em saúde. É o primeiro modelo de negócios do Brasil que usa o blockchain para o uso na saúde", destacou. O blockchain é a tecnologia utilizada em criptomoedas como o bitcoin, mas a principal característica é que o seu registro é distribuído em vários nós como medida de segurança. "Ela vai validar que os dados são verdadeiros", destacou.
"A gente tem que abraçar essa iniciativa de trazer a ABDI para Londrina e fazer isso funcionar", declarou Russo.


