ABCR quer discussão técnica, e não política
As empresas privadas que detêm concessões públicas na área de transportes no Paraná também se pronunciaram sobre os comentários feitos pelos entrevistados à FOLHA.
A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) informou que as seis empresas que atuam no chamado Anel de Integração do Paraná realizaram um total de investimentos de R$ 1,849 bilhão entre junho de 1998 (quando teve início a concessão) e junho do ano passado. Entre as obras, segundo a ABCR, foram efetuadas a restauração de 2.948 quilômetros, a duplicação de 202 km, implantação de terceira faixa em 235 km e recuperação ou implantação de acostamento em 3.988 km.
De acordo com as concessionárias, os investimentos previstos para os próximos anos são de cerca de R$ 800 milhões. Temos cumprido com as nossas obrigações. Os investimentos estão sendo feitos. Se não fizéssemos isso, as concessionárias não existiriam mais. O contrato tem cláusulas, entre elas, a de caducidade. O contrato pode ser anulado se o cronograma de obras não for respeitado, afirmou João Chiminazzo Neto, presidente da representação da ABCR no Paraná e em Santa Catarina.
A questão da tarifa é realmente polêmica, mas, do ponto de vista objetivo, o contrato é totalmente passível de ser negociado. Mas nunca houve nenhuma reunião séria para discutir o assunto. Queremos uma discussão técnica, e não política, disse Chiminazzo.
A América Latina Logística (ALL) informou, por meio da assessoria de imprensa, que está investindo nos seis Estados em que atua R$ 100 milhões para o transporte da safra de 2010. De acordo com a empresa, as obras no Paraná incluem a segunda etapa do plano de reforço estrutural das 57 pontes localizadas ao longo da linha férrea na Serra do Mar. A ALL informou que em 2008 e 2009 foram investidos R$ 3,4 milhões e para os próximos dois anos a previsão é de outros R$ 4 milhões para conclusão das outras duas etapas.
A empresa relatou ainda que está concluindo a troca de perfil dos trilhos (de 45 para 60) na Serra do Mar, para aumentar a capacidade de cargas. Nessa etapa, segundo a ALL, estão sendo trocados os perfis dos pátios entre Curitiba e o Porto de Paranaguá. No ano passado, a troca de perfil foi feita no corredor Apucarana-Ponta Grossa. A ALL informou que também está fazendo o redesenho operacional dos trens, para reduzir em quatro horas a permanência dos ativos nos pátios.
A ALL apontou que a construção de novos trechos ferroviários é de responsabilidade do governo federal, e que o contrato de concessão para o Sul do Brasil determina que a empresa deve zelar pela segurança nas operações e pelo aumento da produtividade na malha que já existe, o que, segundo a ALL, está sendo cumprido.
A respeito das tarifas, a ALL apontou que os valores variam conforme o período do transporte, a distância e o volume, e que a empresa respeita os limites estipulados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A ALL apontou ainda que, em média, o preço do transporte ferroviário chega a ficar 15% mais barato do que o feito por caminhão. (F.G.)





