Abatedouros à beira da falência
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quinta-feira, 22 de maio de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
O excesso de oferta de carne de frango no mercado e a estagnação no consumo está levando os abatedouros a uma situação de insolvência. Os grandes grupos industriais ainda estão conseguindo sobreviver porque conseguem produzir em escala. Mas os grupos com fatias menores no mercado estão suspendendo as atividades como é o caso do frigorífico Diplomata, de Cascavel, que vendeu suas instalações para a Chapecó. A Batavo também já anunciou que pretende sair da atividade avícola, preferindo priorizar a produção de lácteos e suínos.
A situação é geral em todo o país, admitiu o assessor da Associação Paranaense dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná, Gustavo Fanaya. Segundo ele, há dois anos atrás os investimentos em abatedouros avícola aparecia como o melhor negócio a fazer. Tanto os frigoríficos como as grandes cooperativas investiram pesado na ampliação da produção de frango. As empresas se entusiasmaram com a elevação de 25% no consumo de frango durante o primeiro ano do plano Real e com as perspectivas de crescimento ainda maiores que seriam impulsionadas pela preferência da população de baixa renda que elegeu o frango como simbolo de consumo. A produção nacional avançou de 3,14 milhões de toneladas em 93 para 4,1 milhões de toneladas em 96. Em 1995 o Paraná já era responsável por 21,24% da produção nacional, com inspeção.
Mas naquela época não houve a avaliação de que se houve um aumento no consumo, essa demanda foi suprida pela ocupação da capacidade ociosa das indústrias já instaladas que era de 20%. Por isso que não ocorreu nem falta do produto, nem problema de preço, recorda Fanaya. A situação se complicou quando a partir de 1995 o consumo estagnou e até caiu entre 1% e 2%.
Enquanto o custo de produção está oscilando entre R$ 0,65 e 0,68 o quilo para o produtor independente, ele está recebendo no máximo R$ 0,60 o quilo. Os produtores integrados até conseguem receber o equivalente ao custo de produção, via custos indiretos porque recebem assistência técnica, medicamentos, rações e outros insumos. Mas são custos que ampliam o déficit das empresas. Já em São Paulo, os produtores independentes estão recebendo menos ainda entre R$ 0,50 e R$ 0,55 o quilo.
O mercado por sua vez está se beneficiando dos baixos preços pagos ao produtor. As grandes redes varejistas pressionam as indústrias na hora da negociação e acabam vendendo o frango a R$ 0,80 o quilo, utilizando o produto como chamariz de vendas para outros produtos. Na verdade nem os grandes supermercados estão ganhando, sendo que o único beneficiado nessa história toda é o consumidor, explicou Fanaya. Mas infelizmente estão matando a galinha dos ovos de ouro , literalmente, emendou.
Uma das saídas apontadas para o setor é a ampliação das exportações, já que o frango brasileiro tem o custo de produção mais baixo do mundo. Para se ter uma idéia um estudo divulgado pelo Centro Francês de Comércio Exterior apurou que a tonelada de frango no Brasil está sendo produzida por US$ 940, enquanto nos Estados Unidos, é produzida por US$ 1.230 e na França por US$ 2.050,00. Ou seja, o custo de produção nos EUA é 30% maior em relação ao Brasil e da França é US$ 118%. A diferença é que nesses países os produtores são altamente subsidiados. Mesmo assim as exportações brasileiras deverão ser ampliadas esse ano, passando de US$ 800 mil no ano passado para cerca de US$ 1 bilhão, este ano.


