Abate sanitário no PR só será decidido em janeiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, afirmou ontem que no próximo dia 11 se reunirá com integrantes de entidades representativas do agronegócio paranaense que integram o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) para discutir se o governo estadual deve providenciar o abate em frigorífico ou o sacrifício sanitário das cerca de 2 mil cabeças de gado da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio).
No início do mês, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) decretou foco de aftosa na propriedade. ''Não cabe ao governo do Paraná tomar sozinho essa decisão (sobre o abate ou o sacrifício). Queremos ouvir o Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec), o Conesa, enfim, as representações do agronegócio'', disse Pessuti.
Ontem, técnicos do Mapa e da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) se reuniram em Curitiba para discutir a confirmação do foco de aftosa no Paraná. Os representantes da Seab reafirmaram que não houve isolamento do vírus da aftosa nos exames realizados nos animais da Fazenda Cachoeira. O Mapa voltou a argumentar que baseou a decretação do foco em resultados positivos em exames de sorologia e na vinculação epidemiológica e recomendeu o sacrifício.
Há duas semanas, o Fundepec já havia se manifestado a favor do sacrifício das cabeças de gado da propriedade. Caso seja realizado o abate sanitário, o Paraná recuperará em seis meses o status de área livre de aftosa com vacinação. Se a opção for pelo abate em frigorífico, a condição anterior será recuperada em 18 meses.
O gerente da Fazenda Cachoeira, André Carioba Filho, comentou esta semana que o sacrifício sanitário poderia causar danos ao lençol freático da área porque os animais teriam que ser enterrados na propriedade. Pessuti explicou que, caso opte-se pelo sacrifício, será preciso autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Estes órgãos que irão definir onde serão enterrados os animais.
Na semana passada, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) estimou em R$ 4,7 milhões o prejuízo diário dos produtores rurais paranaenses devido à confirmação do foco de febre aftosa. Segundo a entidade, o prejuízo total direto poderá superar R$ 1 bilhão, caso o Estado opte pelo sacrifício sanitário, ou chegar aos R$ 3 bilhões, se a questão continuar a ser postergada.
Pessuti comentou que, independente da decisão sobre o abate ou o sacrifício dos animais, o governo estadual estuda a possibilidade de ingressar com ação judicial contra o Mapa para que produtores rurais do Paraná sejam ressarcidos devido às suspeitas e à confirmação do foco.
''Os prejuízos não são decorrentes apenas das suspeitas e da confirmação no Estado, mas principalmente devido aos focos confirmados no Mato Grosso do Sul. É só verificar que São Paulo, onde não houve confirmação do foco, também sofreu sanções internacionais'', alegou o secretário. Pessuti apontou que, mesmo que seja efetuado o sacrifício ou o abate, o governo do Estado manterá a posição de que não há aftosa no Paraná. (Colaborou Andréa Bordinhão)


