Convidado pela FOLHA a opinar sobre o abate de equinos no Brasil, o professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Marcelo Seneda destacou que seria necessária uma discussão filosófica em torno do fato de os animais, depois de terem servido durante muito tempo para o trabalho, irem para o matadouro. ''No fim das contas, essa discussão acabaria chegando ao questionamento do consumo de carnes pelos humanos'', simplifica.
Sobre a forma de abate dentro dos frigoríficos, Seneda explicou que é igual ao dos bovinos, com uma pistola de ar comprido disparando um artefato na fronte dos animais e provocando morte instantânea. ''A diferença é que a crina é cortada como forma de higiene'', explica.
Na Internet, circulam artigos que dizem que os cavalos morrem de forma cruel, sendo privados de água e comida durante um bom tempo, passando por sessões de choques e tendo as quatro patas cortadas quando ainda está vivo. ''Isso tudo é mito. O frigorífico não quer que o cavalo sofra stress e nem desconforto, pois isso interfere na qualidade da carne. Esse tipo de barbaridade pode até acontecer em matadouros clandestinos, mas não em frigoríficos que buscam a exportação'', comenta. Contudo, o professor ressalta que prefere dieta vegetariana e tem sua área de atução na reprodução animal.
Sobre o valor nutricional da carne de cavalos, a nutricionista Beatriz Ulate destaca que a carne dos equídeos e dos bovinos é muito parecida. ''O valor de proteína e Ferro é muito semelhante, assim como a taxa de gordura. A diferença é que a carne de cavalo tem um sabor mais suave, adocicado''. Mesmo assim, os brasileiros rejeitam a carne equina. Praticamente toda a produção brasileira é exportada. Um dos poucos estabelecimentos que vendem a carne de cavalo está em São Paulo (SP), o quilo sai por R$ 25.
Sobre a expectativa dos frigoríficos brasileiros para os próximos anos, o professor Roberto de Arruda Souza Lima, da Esalq/USP, diz que o mercado vive um momento de instabilidade por conta da proibição do abate de cavalos nos Estados Unidos, em 2007.
''Isso (a proibição americana) mostra uma reação contrária da população, que encara o cavalo como animal de estimação mas não com potencial para corte. Como os Estados Unidos são grandes participantes no mercado de carne de equídeos, a gente imagina que uma retaliação a eles pode significar também retaliação a outros países. Esse fato dá uma chacoalhada nos frigoríficos. Com os americanos fora do mercado, a lógica seria crescer, mas na prática não está acontecendo isso, continuamos exportando para os mesmos países e proporcionalmente a mesma quantidade'', finaliza. (W.S.)

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