O sacrifício dos 1.795 bovinos da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), deverá começar na segunda-feira. Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) os preparativos para o abate ainda estão sendo finalizados. Das duas valas que serão necessárias para abrigar as carcaças, uma ficaria pronta ontem à noite. As mantas texturizadas, que irão revestir as valas, chegariam no final da tarde de ontem à propriedade.
Segundo o chefe do núcleo da Seab de Cornélio Procópio, Roberto Moreira, a partir de hoje os técnicos começariam a revestir a vala com a manta. Sobre o revestimento, será feito um piso com 80 centímetros de terra para evitar que os bois furem a manta com os cascos. O rebanho será separado em dois lotes para o sacrifício. O primeiro será formado por novilhas e bois e, o segundo, por vacas e bezerros. A estimativa é que o sacrifício de cada lote demore cerca de três dias.
Paralelamente ao início do abate, os técnicos irão trabalhar na construção da segunda vala, que deverá estar pronta quando o sacrifício do primeiro lote terminar. Os bovinos serão abatidos pelo ''rifle sanitário'', técnica recomendada pelo Mapa. No entanto, até ontem à tarde não havia sido definido se os bois seriam mortos na própria vala ou na mangueira. Isso porque seriam analisados os riscos de as balas perfurarem as mantas texturizadas, o que foi proibido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Cerca de 20 técnicos deverão atuar neste sacrifício. Os faqueiros cedidos pelo Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados (Sindicarne) serão utilizados para abrir os animais, para retirada do material que será encaminhado para a necropsia, e também para arrumar as carcaças nas valas. Atiradores da Polícia Militar serão os responsáveis para abater os bois.
Comissões - As comissões de avaliação do rebanho das seis fazendas que foram confirmadas com febre aftosa iniciaram os trabalhos na quinta-feira. A expectativa é que todas as propriedades recebam a visita das comissões até hoje. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) concluíram ontem as visitas para realização dos laudos de impacto ambiental.
Informações extra-oficiais indicam que a manta texturizada será necessária apenas na Fazenda Cachoeira e nas duas propriedades localizadas em Loanda: Alto Alegre e São Paulo. Nesse município, a manta seria necessária porque o solo da região é arenoso. Os laudos oficiais de impacto ambiental deverão ser divulgados no início da próxima semana. A Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Curitiba, informou ontem que remeteu à sede do Mapa o processo com o pedido de necropsia nos animais que apresentaram reação positiva ao exame EITB (que analisa as proteínas não estruturais do vírus).
Segundo a advogada dos pecuaristas Deborah Alessandra de Oliveira Damas, também foi enviada ontem ao Mapa uma lista com os exames solicitados pelos proprietários do rebanho durante a realização da necropsia. Segundo ela, o acordo entre o Mapa e os proprietários da Cachoeira para realização do exame ''está caminhando''. A advogada acrescentou que a necropsia, determinada pela Justiça de Londrina, continua valendo porque a decisão do Tribunal Regional Federal da 4 Região não menciona a realização de necropsia.

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