O abate de suínos reduziu 16% nos frigoríficos do Paraná, nos dois primeiros meses do ano, em comparação ao mesmo período de 2003. A principal causa da queda foi a diminuição do volume de carnes e derivados exportados para a Rússia, conforme explicou o economista Gustavo Fanaya, do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne).
No final do ano passado, o governo russo estabeleceu cotas para suas aquisições de carne, reduzindo em dois terços a quantidade de carne suína comprada do Brasil. Em 2003 o Brasil exportou 314 mil toneladas de carne suína e derivados para a Rússia, o que representou 64% do total comercializado pelo País e movimentou US$ 352 milhões.
Neste ano, o volume exportado deve representar 25%. Na prática, significa que os brasileiros deixarão de vender US$ 230 milhões ao país europeu. ''Mesmo que metade desse volume seja direcionado para outros mercados, deixaremos de vender pelo menos US$ 100 milhões'', observou Fanaya.
Para ele, a redução no número de abates indica que os frigoríficos estão se ajustando à nova realidade do mercado. Em janeiro e fevereiro deste ano, o Paraná abateu 546 mil cabeças, ante 651 mil cabeças abatidas no primeiro bimestre do ano passado.
Outra causa da queda foi a redução do plantel paranaense após a crise enfrentada pelo setor em 2002 e 2003. Entusiasmados com o início das exportações e a consequente alta nos preços, os produtores aumentaram o plantel do Estado em 25%. O resultado foi uma super oferta que derrubou os preços e ocasionou a crise. ''Foi preciso se adequar à realidade de um mercado 20% menor'', disse o economista.
A notícia boa é que, com a mudança do mercado, a rentabilidade da suinocultura está mais ajustada. Nas últimas quatro semanas, o preço do quilo do suíno vivo subiu 8%, acompanhando a alta do milho.''Em tempo de super oferta, a cotação não acompanharia a alta dos insumos e o produtor acabaria assumindo o custo maior'', comentou Fanaya, acrescentando que a cotação média do quilo do suíno vivo, à vista, entregue no frigorífico e sem classificação, ficou em R$ 1,82 na semana passada.
Severino Antunes Bezerra, diretor técnico da Associação Paranaense de Produtores (APS), informou que as integrações estão pagando entre R$ 1,95 e R$ 2,10 pelo produto. ''Esse valor empata com o custo. O ideal seria chegar a R$ 2,20'', analisou. Ele acredita que há espaço para novas altas. ''Por causa da seca, haverá redução na oferta da carne de bovina. Isso pode aumentar a demanda por carne suína'', disse.

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