Curitiba - A crise econômica fez com que o abate de bovinos caísse 11,1% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2008, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Trimestral de Abate. Ao todo, foram 6,446 milhões de cabeças de gado abatidas, volume 3,6% inferior ao que fora verificado no quarto trimestre de 2008.
Ao mesmo tempo, segundo dados da Secretaria do Comércio Exterior (Secex), as vendas de carne bovina para o exterior tiveram redução de 19% em relação ao período de janeiro a março de 2008. Em termos de faturamento, significou uma queda de 34,1%, na mesma comparação.
O técnico do departamento econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e médico veterinário, Fabricio Monteiro, disse que a diminuição nos abates está ligada ao desaquecimento da economia mundial. Ele destacou que as exportações brasileiras de carne bovina caíram 25% de janeiro a maio e as de frango 18,7%. Além disso, os frigoríficos estão em dificuldades financeiras, o que leva o produtor a segurar o boi no pasto, já que não tem a valorização que gostaria para o preço da carne.
Segundo ele, essa tendência começou em outubro do ano passado, com o início da crise financeira mundial. Monteiro disse ainda que o consumo de carne bovina se manteve estável no mercado interno, mas a produção diminuiu. Com isso, os preços da carne bovina subiram 2% no atacado no primeiro trimestre do ano. Ele acredita ainda que a questão ambiental vai mudar a dinâmica do mercado, já que as grandes redes supermercadistas estão deixando de comprar de áreas que têm risco ambiental.
Frango
Foi constatado ainda arrefecimento no abate de frangos. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, a queda chegou a 5,8%. Na comparação com o quarto trimestre de 2008, o abate de frangos teve redução de 10,8%. Ao todo, foram abatidas 1,122 bilhão de unidades de frangos. O impacto da crise também se refletiu nas exportações de frango, que caíram 3,9% sobre o primeiro trimestre de 2008, o que resultou em faturamento 21,9% menor.
Segundo a pesquisa, o abate de frangos concentra-se na região Sul do País (60,6%), seguida pelo Sudeste (22,9%). Em termos estaduais, o Paraná respondeu pelo maior volume de abate (26,5%) seguido por Santa Catarina (18,8%) e Rio Grande do Sul (15,3%).
Suínos O espalhamento da gripe suína ainda não teve reflexos no mercado de carne de porco, no primeiro trimestre. Na comparação com igual período em 2008, houve aumento de 7,1% no abate de suínos. Já em relação ao quarto trimestre, foi constatada queda de 1,2%. Ao todo, foram abatidas 7,322 milhões de unidades de suínos.
''Acreditava-se que a disseminação da doença poderia restringir o consumo de carne suína tanto interna como externamente, tendo impactos significativos sobre a produção. Os dados da Pesquisa Trimestral do Abate para o período, por sua vez, não confirmaram isso, indicando até mesmo certo crescimento do abate comparativamente ao mesmo período do ano anterior'', segundo o IBGE.
Monteiro acredita que a produção de suínos e frango deve manter-se estável nos próximos meses e que o preço também permaneça nos mesmos patamares para o consumidor final ao menos até o final de setembro. As carnes podem ter alta no último trimestre do ano quando há um consumo maior por conta das festas de final de ano.

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