Arquivo FolhaVISTAS GROSSASCerca de 12 mil t/mês de carne entram no mercado com inspeção parcial ou totalmente sem inspeçãoEm todo o Estado do Paraná existem 209 pontos de abate de bovinos, mas apenas 18 são devidamente fiscalizados e contam com o Serviço de Inspeção Federal (SIF), através da presença de médicos-veterinários, dentro do frigorífico. Há 110 abatedouros municipais que contam com o Serviço de Inspeção Municipal (SIM); 60 contam com Serviço de Inspeção do Paraná (SIP), mantidos pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, e 21 não são inspecionados regularmente. Só que tanto o SIM como o SIP não contam com a presença permanente de médicos veterinário; as inspeções são periódicas. É o que o diretor do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne), Péricles Pessoa Salazar, chama de ‘‘clandestinidade oficializada’’ - porque o Estado e as prefeituras passam a idéia de que esses abatedouros têm fiscalização, quando, na prática, realmente não têm.
Esses dados fazem parte de um relatório do Sindicato encaminhado às Secretarias da Agricultura e Fazenda. O relatório constatou ainda a existência de 21 postos de abate sem inspeção alguma, em Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Guarapuava, Ivaiporã e Pato Branco, entre outros municípios considerados de grande porte.
Para se ter idéia da quantidade de carne sem inspeção - ou inspecionada parcialmente - que os paranaenses consomem, basta considerar, em cálculos bem superficiais, que esses estabelecimentos somam um abate mensal de 50 mil bovinos, ou 12 mil toneladas/mês de carne, tomando por base um peso médio de 240 kg/cabeça. Levando em conta um consumo per capita de 20 kg/ano, pode-se projetar que cerca de 500 mil pessoas, durante o ano inteiro, são potencialmente expostas ao risco de contrair doenças. Este tipo de doença deve ter um custo alto para a previdência, calcula o diretor do Sindicarne.
Comparada ao risco que isto representa para a saúde dos consumidores, a evasão de arrecadação até que não é um problema maior, apesar de representar alguns milhões de reais, num Estado carente de recursos.
‘‘A Secretaria da Agricultura e as prefeituras não estão fazendo cumprir a lei’’, acusa Salazar. Além de permitirem a venda de carne sem inspeção, ainda dão margem à sonegação. Para os frigoríficos que mantêm inspeção federal, a ‘‘clandestinidade oficializada’’ representa uma concorrência desleal, já que os custos das indústrias que estão em dia com suas obrigações sociais (sanidade, recolhimento de tributo, mão-de-obra, etc) são sempre maiores.
‘‘Nossa proposta ao governo do Paraná não é tirar ninguém do mercado. Queremos que a Secretaria e as prefeituras tenham vigilância permanente e façam com que esse pessoal (que se serve dos abates precários nos matadouros com SIP ou SIM) também recolha impostos e cumpra com a lei’’, afirma Péricles Salazar. Além dos abates clandestinos, caberia fiscalizar fábricas de embutidos, igualmente operando em condições precárias e em débito com o fisco.
A indústria da carne, através do seu Sindicato - informa Salazar - tem colaborado com a Defesa Sanitária e percebe que há avanço neste sentido. Ele elogiou Defesa Sanitária do Paraná. No entanto, no caso dos abates o que existe é a proliferação de pontos de abates clandestinos e outros abusos.

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