Abate clandestino ameaça frigoríficos
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quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Vânia Casado Curitiba 
A concorrência desleal dos abatedouros clandestinos denunciada pelo Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Paraná está se proliferando por todo o país. Prova disso é o fechamento de grandes indústrias frigoríficas nos estados do Centro-Oeste, conforme noticiou o jornal Gazeta Mercantil, afirmou Péricles Salazar, diretor executivo do Sindicato da Indústria de Carne e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarnes).
No Paraná, a situação para os frigoríficos organizados, que pagam impostos, está ficando insustentável e as empresas não estão suportando o peso da carga tributária, que é muito alto, os juros elevados e a concorrência com os abates clandestinos, justificou.
Segundo Péricles, não será surpresa se em pouco tempo o mercado receber a notícia de que as indústrias frigoríficas vão fechar por aqui também já que a situação é de calamidade. Segundo ele, a concorrência com o abate clandestino, que supre cerca de 40% do mercado de carne no Paraná já vem sendo denunciada há muito tempo e não se entende a omissão do governo em relação ao assunto.
Salazar critica os abatedouros municipais e os frigoríficos clandestinos que sonegam impostos.
Ultimamente os frigoríficos organizados vêm conseguindo se equilibrar no mercado, com a venda de subprodutos da carne como couro, sebo e vísceras que rende cerca de R$ 50,00 por animal abatido. A venda de carne está empatando com o custo da arroba do boi, disse Salazar, e os frigoríficos retiram os recursos para as despesas operacionais com a venda de subprodutos. Tem épocas que a comercialização da carne rende uma margem de 2% a 3%, admite.
O Sindicarnes calcula um faturamento de R$ 550 milhões por ano com o abate de aproximadamente 80.000 cabeças por mês pelos 18 frigoríficos organizados no Paraná. Só que esse resultado é diluído com os custos das empresas. Segundo Salazar o setor é rentável, sendo que a moralização dos abates certamente atrairia novamente as grandes indústrias nacionais para o setor, prevê.
Caso de Goiás e MS De acordo com o Sindicarnes, seis grandes frigoríficos do Mato Grosso do Sul e Goiás deixaram de operar nos últimos dois meses. As causas são baixa rentabilidade por causa da concorrência dos abates clandestinos. Empresas gigantes como Ceval, Caiowa, Sadia, Perdigão e Anglo, que operam dentro de normas sanitárias, deixaram o mercado.
Na opinião de dirigentes do setor, se o governo federal permitir a cladestinidade e a sonegação, outras empresas deixarão de operar, ou reduzirão sua capacidade. Farão aumentar o desemprego e os estados deixarão de arrecadar impostos.


