Abastecimento de milho sob ameaça
O abastecimento de milho este ano poderá enfrentar problema de oferta e uma alta de preços comparada a que ocorreu em outubro de 2000, quando o produto chegou a ser comercializado entre R$ 12,50 e 13,00/saca nos momentos de pico. A redução da área na safra de verão em favor da soja, resultou num quadro muito ajustado, segundo os técnicos, levando o mercado e autoridades do governo a apostarem tudo na safrinha.
Qualquer contratempo que ocorra com a safrinha, por menor que seja, vai pôr em risco o abastecimento. Será um ano nervoso, previu ontem o analista de mercado de commodities Fernando Muraro, entrevistado por este jornal.
A Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F) também está esperando um ano extremamente comprador em que as importações, se houver, não farão diferença porque o preço internacional também estará em alta.
Além de uma produção nacional, na primeira safra (30 milhões de toneladas) abaixo da demanda (36 milhões a 37 milhões), analistas também estão considerando a exportação. Mesmo que a safrinha chegue a otimistas 8 milhões de toneladas esperadas (6,5 milhões de t ano passado), a variável exportação vai desequilibrar o mercado. E quem exportou ano passado quer preservar o espaço no mercado, afinal, foi um grande divisor da história da comercialização do milho que nunca havia alcançado o mercado externo com esta desenvoltura.
Para Fernando Muraro, as exportações de milho são uma variável nova no mercado. Segundo ele, colocaram um bode na sala do mercado interno pois agora as exportações passam a ser um diferencial. Em situação tão equilibrada de oferta e procura qualquer mudança de cenário é suficiente para elevar preços, como a seca momentânea no Rio Grande do Sul.
A redução média da área foi de 15%; no Paraná foi maior. Isto sinaliza com alta dos preços, ainda que neste momento, a tendência seja de baixa, com a aproximação da colheita dos primeiros plantios da safra de verão. No entanto, fonte da Associação Paranaense de Suinocultores (APS) está prevendo uma rápida comercialização. Representantes da indústria também acreditam numa comercialização em menor espaço de tempo que o normal, o que expressa um mercado caracterizado por forte demanda.
Há uma mudança no perfil da produção com a perda de 3 milhões de hectares e isto não é brincadeira, conforme observa Fernando Muraro.
Para os técnicos de cooperativas, a safrinha hoje de milho se consolidou nos últimos anos de tal forma que deixou de ser considerado um plantio fora da época convencional - ou safrinha - para ser considerada pelos órgãos oficiais e agentes financiadores como segunda safra.





