São Paulo O assessor da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Onório Katayama, descartou ontem a possibilidade de ocorrência de desabastecimento no mercado de álcool combustível, apesar de a adesão dos usineiros do Centro-Sul a um plano de antecipação de safra não ter atingido os volumes de produção negociados com o governo. A previsão era de que houvesse, até maio, quando tradicionalmente tem início a safra sucroalcooleira, uma antecipação da produção de 650 milhões de litros.
Katayama estima, contudo, que os compromissos assinados até o momento pelos usineiros do Centro-Sul visando à antecipação da safra somam uma produção de cerca de 450 milhões de litros, 100 milhões de litros acima das expectativas de fontes do mercado. ''A Unica continua trabalhando para que todos os usineiros façam a adesão'', disse Katayama, um dos palestrantes da 6 Conferência Anual do Açúcar e do Álcool, que está sendo realizada pelo IBC Brasil em São Paulo. ''Mas isso não significa que haverá desabastecimento. A parcela dos produtores que está antecipando a safra já garante o abastecimento.''
Katayama destacou que a manutenção da credibilidade do programa de álcool combustível é essencial para o setor sucroalcooleiro. Segundo ele, se houver uma crise de desabastecimento neste segmento, as consequências seriam profundamente danosas para as usinas sucroalcooleiras, atingindo-as em duas frentes: no álcool, com uma redução do consumo e, consequentemente, da produção; e no açúcar, com o direcionamento da cana-de-açúcar para a produção da commodity, criando um quadro de superoferta podendo derrubar as cotações internacionais.
O deputado estadual Arnaldo Jardim (PPS), coordenador da Frente Parlamentar pela Energia Limpa e Renovável, mantém o otimismo em relação ao cumprimento do acordo fechado com o governo. Pelos seus cálculos, já houve, no Centro-Sul, uma adesão de usineiros suficiente para oferecer 80% do volume prometido. Ele lembrou que os usineiros da região também trouxeram do Nordeste 120 milhões de litros para reforçar a oferta.''Uma prova de que o abastecimento está normal é a manutenção dos preços do álcool em um patamar correspondente a 65% do valor da gasolina'', lembrou o deputado.

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