A vez dos seminovos
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quarta-feira, 16 de março de 2016
Victor Lopes Reportagem Local 
Se existe um setor que está num embate forte contra a crise econômica, definitivamente é o de veículos novos, que fechou 2015 com uma queda drástica de 25% nas vendas, segundo dados da Federação Nacional de Veículos Automotores (Fenabrave). Entretanto, quando se analisa a venda de carros seminovos percebe-se que na verdade o brasileiro não deixou de comprar automóveis, mas sim está em busca, digamos, de algo mais adaptado à sua realidade financeira: carros mais baratos, com pouco tempo de uso, parcelamento mais leve e, claro, qualidade.
Os números comprovam isso. Em nível nacional, a retração para veículos usados foi de apenas 0,63% no ano passado, uma vitória comparado a outros segmentos comerciais. No Paraná, o percentual é um pouco pior: retração de 4%, com 932,1 mil unidades vendidas. Mas aí chega o número surpreendente: para os veículos com até três anos de uso, 2015 fechou com incrível elevação de 23% nas vendas, com 294,1 mil unidades vendidas no Paraná, contra 229,8 mil do ano anterior (veja o gráfico). Uma vitória para o setor. Os dados são da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), compilados pela Associação de Revendedores de Veículos Automotores no Estado do Paraná (Assovepar).
E não pense que neste início do ano com toda essa turbulência política e econômica atual os números pararam de crescer. Entre janeiro e fevereiro, as vendas de veículos seminovos já atingiram 53,6 mil unidades em todo o Paraná, elevação de 26% contra o primeiro bimestre do ano passado.
Garantias e tributos
O vice-presidente da Assovepar, Antônio Gilberto Deggerone, comenta que essa elevação está diretamente ligada a uma migração de consumidores dos veículos zero quilômetro para os seminovos. "Os carros novos tiveram uma perda significativa, já que os clientes acabaram descendo de patamar na hora da compra. Hoje, sem dúvida, eles estão procurando preços mais em conta, mas sem deixar de comprar um carro em bom estado de conservação, muitas vezes com garantias oferecidas pelas concessionárias e tributos menores comparados ao automóvel zero", compara.
No que diz respeito à queda de 4% no segmento quando analisados os carros usados de maior idade, Deggerone relata que o percentual é muito pequeno comparado à "grandiosidade do negócio". "Acho que é algo natural pensando no momento em que vivemos. Aliás, com a alta das vendas dos seminovos com até três anos, entendo que estamos aproveitando bem o cenário que vivemos". No caso das chamadas garagens, que acabaram perdendo muitos clientes, o vice-presidente da Assovepar acredita que é preciso "profissionalizar mais o negócio". "As taxas de juros para automóveis antigos também são maiores, já que as instituições financeiras precisam de mais garantias para esse tipo de negócio".


