A um passo do reconhecimento mundial
PR LIVRE DA AFTOSA
A um passo do reconhecimento mundial
Ágide Meneguette
No final de 99, o ministro da Agricultura, Pratini de Morais, baixou ato considerando o Paraná como área livre de aftosa, juntamente com os demais Estados do Circuito Centro-Oeste. Ainda falta o reconhecimento mundial para que nosso Estado possa candidatar-se a exportador de carnes para os países desenvolvidos. Este reconhecimento está perto de tornar-se realidade, após haver sido aprovado pelo Comitê Especial da Organização Internacional de Epizootias (OIE).
Em maio, quando o OIE estiver reunido em Paris, o Paraná poderá considerar-se como integrante do bloco dos exportadores. Falta muito pouco, caso não ocorra nenhum acidente de percurso. E há possibilidades de que este acidente ocorra, se continuar a insistência de alguns produtores que se encontram na zona tampão, como o Mato Grosso do Sul e indústrias do Paraná e São Paulo, de contrabandear gado ou de insistir em notícias que dêem aos membros da OIE a falsa impressão de que o Circuito Centro-Oeste não tem condições de fiscalizar e administrar as barreiras sanitárias.
Tem gente interessada em torpedear esta conquista por motivos momentâneos e mesquinhos, achando que ainda é possível dar um jeitinho para burlar as regras internacionais de sanidade animal. Este tempo acabou. O jeitinho brasileiro não serve para um mercado cada vez mais exigente.
Quando Santa Catarina e o Rio Grande do Sul foram considerados área livre de aftosa e tiveram suas divisas com o resto do País bloqueadas, o Paraná teve prejuízos com o comércio de bovinos e suínos, que tiveram uma grande redução de preços, como ocorre hoje com as áreas tampão. O Paraná conseguiu superar a situação adversa e iniciou um grande trabalho reunindo Governo e iniciativa privada, que desembocou nesta vitória. O sacrifício momentâneo faz parte deste processo. Nada é de graça e qualquer conquista requerer paciência, persistência, disciplina e trabalho.
Os produtores das zonas tampão vão ter que esperar como nós esperamos e tratem de fazer a lição de casa, como nós fizemos. Mudar as regras agora ou sabotar essa vitória é um ato de lesa-pátria e contraria os interesses de nossa economia e de nossa sociedade.
Ser reconhecido como área livre de aftosa não significa ter atingido o objetivo. É apenas o começo. Agora é que vamos enfrentar o trabalho mais difícil: manter a sanidade do rebanho; fiscalizar para que não haja entrada de gado de áreas ainda não livres. E essa fiscalização tem que ser feita em conjunto entre Governo e iniciativa privada.
Procurar abrir mercados para nossa carne, atendendo as exigências dos consumidores e procurando aprimorar a qualidade dos rebanhos; manter esses mercados e saber competir com outros fornecedores. Os Conselhos Municipais e Intermunicipais de Defesa Agropecuária, que hoje se instalam em todo Paraná, tem essa missão e outras, que abrangem a produção, industrialização e comércio de todos os outros produtos pecuários e vegetais.
Todas essas tarefes não são do governo, mas nossa, da iniciativa privada, de produtores, industriais, transportadores, comerciantes. É uma tarefa de toda a sociedade, porque é ela que ganha com isso.
Vivemos tempos diferentes, resultado de mudanças rápidas e profundas. Vamos ter que nos adaptar também rapidamente, sob pena de ficarmos à margem dessas mudanças e sermos rejeitados pelo mercado. Isto vale não apenas para a pecuária bovina. Vale para o leite, para a produção de aves e suínos e também para os setores vegetais, frutas, hortigranjeiros, milho, algodão, soja.
Para todos esses produtos há especificações bem determinadas pelo mercado consumidor. A FAEP, por exemplo, não é contra os transgênicos. Não temos base científica para emitir parecer e temos que aceitar o fato de que nossos clientes têm o direito de não aceitá-la.
Muito em breve vamos ter que rotular produtos como soja, milho, trigo, algodão, frango, carne, identificando a origem, a forma de produzir e os insumos utilizados. Serão informações tão detalhadas quanto uma bula de remédio ou o rótulo de um alimento industrializado. É uma exigência do mercado, mas também uma oportunidade para as regiões melhor aparelhadas para identificar seus produtos e certificá-los.
A agropecuária depende muito ainda do Governo Federal, das suas políticas monetária, cambial, de crédito, de comércio exterior, de preços, de salários e outras tantas. Mas não podemos ficar atrelados aos humores do governo para tocar nossos negócios.
Temos que depender de nós mesmos, do que fizermos e dos avanços que conseguirmos na redução de custos de produção e comercialização, na incorporação de tecnologias que proporcionem ganhos de produtividade. Dependemos de nós mesmos, também, na qualidade de produção. A solução das nossas crises tem que vir de nosso próprio esforço e do que pudermos conscientizar o Governo. O paternalismo do governo acabou.
Ao compartilhar com as autoridades estaduais e federais das campanhas de vacinação contra aftosa e de erradicação de pragas e doenças que ameaçam nossa produção agrícola, e ao discutir e implementar ações que visem melhorar o desempenho de nossas empresas, sejam agrícolas, comerciais ou industriais, a iniciativa privada está assumindo um papel extraordinário.
Em nosso Estado, por uma grande felicidade e por havermos encontrado o homem providencial, esse esforço tem a liderança do Estado, que é parceiro da iniciativa privada. Essa liderança vem sendo exercida pelo nosso secretário da Agricultura, Antônio Leonel Poloni. Ele e a sua equipe do Departamento de Defesa Agropecuária e de outros órgãos da sua pasta estão envolvidos de corpo e alma nestes programas.
Agora novos municípios se incorporam a este esforço, graças à visão das lideranças que sabem que as ações de sanidade e competitividade colocam nossa agropecuária no caminho certo, no caminho da modernidade. Tudo que queremos, todo esse esforço é para que os produtores rurais tenham mais renda. Que nossa indústria e nosso comércio prosperem. Que toda a sociedade obtenha as vantagens que a produção possa proporcionar.
ÁGIDE MENEGUETTE é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná - FAEP.





