Uma nova modalidade de pagamento está ganhando espaço no mercado brasileiro prometendo atrair muitos adeptos. São os cartões pré-pagos, oferecidos por algumas administradoras do País sem necessidade de avaliação da situação de crédito ou até mesmo de possuir conta corrente. O público-alvo, da maioria delas, é justamente a população que não tem conta em banco.
''É a terceira onda do meio de pagamento eletrônico. O primeiro foi o cartão de crédito, o segundo o de débito, e agora o cartão pré-pago'', afirma Ronaldo Varela, coordenador do Comitê de Pré-Pago da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços. A tendência, segundo define, já é bem desenvolvida nos Estados Unidos e alguns países da Europa e Ásia.
O pré-pago se difere do cartão de crédito, cujo valor é concedido por uma instituição financeira, e do débito, que a pessoa tem conta corrente no banco. ''É uma mescla dos dois'', diz Varela. Para ele, o novo cartão funciona como um mecanismo de inclusão financeira. Conforme estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em janeiro deste ano, 39,5% dos brasileiros - o equivalente a 53 milhões de pessoas - não têm conta em banco.
Para ter acesso ao cartão, classificado como ''multiuso'' ou de ''uso genérico'', geralmente, é necessário pagar uma tarifa pela emissão e primeira recarga. O produto funciona como cartão de débito, sem vinculação à conta corrente, e pode ser usado para realização de compras e saques nos caixas eletrônicos. O uso para pagamento de compras não é tarifado, ao contrário das recargas e os saques.
Desde que lançou o cartão Ourocard Pré-Pago, com bandeira Visa, no começo de outubro, o Banco do Brasil já emitiu cinco mil unidades que estão em uso em todo o País. Por hora, o produto está disponível apenas para correntistas. O Mundo Livre Visa, do Banco Rendimento, lançado no primeiro semestre, possui cerca de 10 mil unidades, de acordo com Roger Ades, diretor da Agillitas, empresa de cartões do banco. ''Por questões internas, não podemos divulgar a quantidade agora, mas posso dizer que o PanAmericano Mastercard, lançado em abril, foi pioneiro no País'', relata o diretor de cartões, Eliel Almeida.
Consumismo
O professor de Economia da UEL, Renato Pianowski de Moraes, não vê a modalidade com bons olhos. Para ele, o cartão pré-pago é uma indução ao consumismo, ''além de ser mais uma forma de o governo monitorar os rendimentos das pessoas''. O especialista questiona a utilidade do cartão e o seu custo. ''Quem tem conta em banco não precisa de nada disso, até porque vai pagar tarifas por esse serviço e ao invés de economizar, vai gastar ainda mais. É uma liberdade que eu jamais utilizaria'', afirma.
Na avaliação de Pianowski, o cartão pré-pago também não é um bom negócio para quem não tem conta. ''A pessoa estava totalmente excluída desse processo e agora vai ter que pagar para tê-lo. De certa forma, vai se ver na obrigação de colocar um valor por mês neste cartão, ao passo que o ideal é fazer uma poupança. É um desserviço'', completa.

Imagem ilustrativa da imagem A terceira onda do pagamento eletrônico
Imagem ilustrativa da imagem A terceira onda do pagamento eletrônico