A tentação das compras no crediário
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Sérgio Nardi 
Moeda estável, inflação controlada e um pequeno aumento de renda para a população. Pronto. Cenário perfeito para compras e mais compras. É o que tem acontecido nos últimos anos. Para se ter uma idéia de tal crescimento, segundo levantamento realizado pela instituição financeira, as compras parceladas atingiram 50,1% das vendas totais das operadoras de cartões de crédito e em dezembro deverão chegar a 51,8% dos R$ 223,5 bilhões previstos de faturamento.
Com toda essa oferta de crédito, principalmente para as classes C, D e E, a questão que surge é a seguinte: o crediário é bom para quem e até quando?
De um lado, o crediário é uma ferramenta importantíssima para a indústria e o comércio, pois ele abre perspectivas de aumentar as vendas e atingir potenciais consumidores.
Por outro, o consumidor deve conceder uma atenção especial para esse tipo de pagamento. É necessário analisar se o que é benefício hoje será um problema amanhã. Os impulsos desenfreados dos consumidores podem ocasionar o acúmulo de prestações, que na soma total dos valores podem superar a renda mensal do indivíduo, gerando uma inadimplência compulsiva. Outro fator relevante no momento da compra financiada é entender o tamanho da taxa de juros embutida e quais são as regras de reajuste das prestações. Cuidados simples e básicos que passam aos olhos do encantado consumidor sem que ele perceba.
Mesmo com todas essas facilidades para a aderência ao crediário é preciso ficar com os olhos bem abertos, pois já é visível a elevação dos preços dos alimentos e nos absurdos índices de aumento de commodities como o aço. Os reflexos desses aumentos não tardarão e chegarão ao consumidor final na forma de reajuste de preços, correção no valor da prestação dos financiamentos, com a consequente diminuição do poder de compra. Essa situação não desperta o desespero, mas sim a cautela por parte do consumidor na hora de assumir novas dívidas.


