'A suinocultura está na UTI'
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Sufocados pelas altas do milho e da soja, suinocultores paranaenses acumularam, nos últimos dez meses, uma dívida média de R$ 300,00 por matriz alojada. A informação é de Romeu Carlos Royer, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), que fez a pesquisa e constatou o endividamento. Segundo ele, o custo de produção do quilo de suíno vivo é de R$ 1,92. Ontem, o produto estava sendo negociado a R$ 1,65 nas regiões oeste e sudoeste do Estado. ''A suinocultura está na UTI'', comentou.
O problema atinge até os produtores integrados às grandes empresas, que não arcam com os custos de alimentação dos animais. ''Esses suinocultores pagam a manutenção do plantel, fazem investimentos nas granjas e têm que se adequar às exigências ambientais. O valor pago pelas empresas não dá lucro'', disse.
A solução, para ele, é aumentar a cotação para R$ 2,20. Caso contrário, teme que muitos produtores abandonem a atividade. ''Haverá um colapso'', prevê, lembrando que os mais prejudicados são os pequenos criadores independentes. No ano passado, muitas granjas paranaenses já fecharam as portas, mas o setor ainda não tem números oficiais sobre o assunto.
Elias José Zydek, diretor executivo da integradora Frimesa, considera inviável a reivindicação dos produtores. ''Só se o salário mínimo for para R$ 400'', afirmou, em alusão ao baixo poder aquisitivo da população brasileira. Ele confirma a pesquisa da APS ao comentar que, na integração, a empresa tem prejuízo de R$ 25,00 a R$ 30,00 por cabeça alojada.
''O aumento no custo, que há um ano era de R$ 1,30 por quilo, é incompatível com os rendimentos da população'', reforçou. A suinocultura exportou 341 mil toneladas de carne suína no ano passado, totalizando receita de US$ 46 milhões. O volume corresponde a 15% da produção nacional. O restante ficou no mercado interno, que não absorve o preço da mercadoria.
Para Zydek, o incremento das vendas externas é fundamental para enfrentar a cotação dolarizada do milho e da soja, principais insumos da atividade. Além disso, há expectativa sobre a safra de milho, que deve ser maior neste ano. A maior oferta evitaria desabastecimento e derrubaria a cotação do cereal.
Para Mauro Osaki, pesquisador do Centro de Pesquisa em Economia Aplicada (Cepea) da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, o fechamento das granjas de produtores tradicionais e independentes aumentará a concentração do mercado nas mãos das grandes empresas. ''Isso pode trazer prejuízos para os consumidores'', comentou.
No Paraná, quase 50% dos abates inspecionados são feitos pela Sadia, informou Guilherme Oscar Richter, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). ''O setor de aves e suínos acaba concentrado nas mãos dos grandes'', confirmou. Para os pequenos, a dica é racionalizar o uso da ração. ''Quem não plantou milho continuará enfrentando uma situação difícil.''


