Engenharia de pesca é uma profissão ampla que vai além das técnicas para a captura de peixes. Ela abrange desde a participação no cultivo de organismos aquáticos até estudos ecológicos que auxiliem na gestão sustentável de recursos naturais. O mercado está crescendo e absorvendo profissionais tanto para o setor público quanto para o privado. O piso fica em torno de nove salários mínimos.
O coordenador do curso da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) do campus de Toledo, Pitágoras Augusto Piana, explica que a formação em engenharia de pesca é uma habilitação que integra a área das ciências agrárias e qualifica, em nível superior, para a intervenção técnico-científica em aquicultura, pesca e tecnologia do pescado. Além disso, desenvolve atividades de pesquisa e extensão na área de biotecnologia e serviços voltados à aquicultura e pesca.
O engenheiro de pesca pode atuar em órgãos públicos, instituições de ensino e institutos ambientais e também no Ministério da Pesca. Na iniciativa privada, em fazendas de criação de organismos aquáticos, abatedouros de peixe, na linha de monitoramento de qualidade e ictiofauna (conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região biogeográfica). Também há opção para atuar como autônomo em consultoria ambiental.
No campus de Toledo, a Engenharia de Pesca é dividida em duas áreas de atuação: cultivo de organismos aquáticos e estudos ecológicos. A primeira é voltada para a aquicultura (criação de peixes, crustáceos, ostras e maricultura), que trata de alimentação, nutrição, organismos aquáticos, engenharia (equipamentos utilizados na produção de organismos aquáticos) e instalação de empreendimentos ligados à aquicultura, em fazendas de produção e frigoríficos.
A parte de estudos ecológicos aborda questões de legislação para implantação de fazenda de aquicultura, fiscalização ambiental, reservatórios de usinas hidrelétricas (monitoramento de qualidade da água) e ictiofauna - em programa de povoamento de peixes e repovoamento de espécies nativas. A Engenharia de Pesca aplica conhecimentos básicos da Biologia e das Ciências Exatas (Física, Matemática e Química) para desenvolver técnicas que permitam melhorar os resultados das atividades pesqueiras. As aulas práticas são realizadas em laboratório e a campo.
Apesar do mercado de trabalho ser atraente, ainda são poucas as universidades que oferecem o curso no País. Engenharia de Pesca em Toledo é a única graduação na Região Centro-Sul do Brasil e diferencia-se dos demais existentes no País, segundo Piana, por formar profissionais com conhecimento especializado em aquicultura de água doce e pesca em águas interiores. ''Além disso, se o engenheiro de pesca não gostar do curso ou quiser dar aula, após formado pode cursar mais um ano (todo sábado) na Universidade Tecnológica Federal e se habilitar em licenciatura'', acrescenta.

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