A SELIC subiu, e agora?
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
Após 45 dias de muitas especulações do mercado econômico brasileiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros Selic de 8,75% para 9,5% ao ano, confirmando as projeções de especialistas no assunto. Para a população, tal ação do Banco Central (BC) pode passar despercebida pelo simples fato de essa taxa não ser bem entendida. Mas afinal, o que exatamente é a Selic e o que tal manobra econômica reflete na prática para os brasileiros? A FOLHA conversou com economistas entendidos do tema e esclarece a situação aos leitores.
O professor de economia da Universidade Estadual de Londrina, Azenil Staviski, explica que a taxa Selic funciona como uma referência para as outras taxas de juros exercidas no mercado. ''A taxa básica interfere diretamente no sistema de crédito do País. Taxas de cartões de crédito, financiamentos, crediários, empréstimos, duplicatas entre outras podem ser modificadas com a movimentação da Selic. Quem define se ela sobe ou desce são os diretores do Banco Central (BC)''.
Cada contrato fechado pelo consumidor em diferentes serviços pode ter ou não influência da taxa básica de juros. No geral, os contratos de longa duração - como o financiamento de um imóvel, por exemplo - tem alterações de ordem financeira com o aumento da Selic. Em contratos menores - como o da compra de eletrodomésticos - geralmente os juros são pré-estabelecidos. ''Para compra de automóveis as taxas, na maioria das vezes, são fixas. Quando falamos de longas transações, as empresas preferem fazer contratos com juros variáveis com o intuito de evitar prejuízos futuros'', avalia Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, de São Paulo.
Aumentando a Selic, o objetivo do Governo é justamente frear a economia do País, considerada superaquecida pelos especialistas. Na prática, isso significa que o consumo está elevado, tendo como um dos fatores a facilidade na liberação de crédito. Logo, a demanda cresce, os preços sobem e a inflação pode voltar gradativamente . ''Subindo a taxa básica de juros, o BC tem como principal objetivo segurar a inflação. Segundo números do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), ela pode chegar a 13% ao ano se continuar neste ritmo, o que ultrapassa os 5% a 6% almejados pelo Banco Central. A principal responsabilidade do BC é justamente zelar pela qualidade da moeda'', relata o economista Staviski.
Só para ter uma ideia de como a inflação é perigosa, mesmo estabilizada desde a criação do Plano Real, em alguns setores os preços subiram vertiginosamente. Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que de agosto de 1994 (ano que o real foi criado) até janeiro de 2010, a alimentação subiu 180%, a habitação 347% e os produtos agropecuários 399%. ''A inflação é extremamente complicada de controlar, por isso todo esta necessidade de elevar a taxa básica de juros. A sociedade acaba pagando um preço muito alto para superar a volta da inflação'', comenta Azaniel.
Em contrapartida, a elevação da taxa Selic repercute negativamente para quem exporta. Como o aumento dos juros básicos valoriza a moeda brasileira, os empresários do País perdem espaço lá fora. ''Com o real forte, a importação aumenta, o que acaba melhorando ainda mais a economia de países como a China. Já as empresas brasileiras, que sempre necessitam de crédito, ficam com dificuldades, o que pode gerar desemprego'', relata o professor da UEL.


