A saúde de uma empresa
Existem índices que, quando controlados, aumentam a probabilidade do ser humano ter uma vida mais saudável. Manter o colesterol abaixo de 220, taxa de açúcar no sangue em 70, pressão arterial em 12 por 8 e assim por diante. Nas empresas, o controle dos índices de salubridade tem a mesma função, qual seja, garantir a perenidade do negócio. Os nomes são diferentes, grau de endividamento: taxa de rotatividade, ocupação da capacidade instalada e mais um monte deles. Porém, a falta de controle deles pode ser tão fatal quanto.
Agora, vital como o oxigênio é para o homem, o lucro é para a empresa. Esse, que muitas vezes é tratado como um vilão, principalmente em discursos demagogos, na realidade é o que garante o crescimento saudável dos negócios, portanto da economia como um todo.
Quando falta esse oxigênio, o paciente precisa ser entubado por empréstimos cujas taxas o levam à UTI, e quando de lá consegue sair está tão debilitado que o tempo de sua recuperação é longo e penoso. Um outro aspecto que merece especial atenção é o cérebro. Sabemos que o homem é capaz de sobreviver mesmo com restrições de funcionamento desse órgão, porém não de forma mais produtiva.
Nas empresas, isso também é possível, dependendo da intensidade dessa restrição. A vantagem aqui é que o transplante é uma operação possível, porém deve ser realizada quando extremamente necessária, pois a organização sofre bastante com isso.
A nova onda de troca de CEOs que invadiu as grandes corporações nos últimos tempos tem fragilizado estruturas até então tidas como inabaláveis. O que ocorre é que a mudança constante de rumos leva a uma instabilidade que atinge toda a instituição, provocando incertezas tanto no público interno como no externo. Muitas vezes é preferível tentar tratamentos mais homeopáticos que traumatizem menos o paciente. Uma outra fonte de incertezas que permeiam as empresas acontece quando o controle acionário está mudando de mãos. Esse é um processo extremamente crítico que, quando não bem conduzido, pode trazer consequências nefastas. Tivemos há pouco tempo a conclusão de um processo desses com uma das maiores empresas do nosso segmento, processo esse que se arrastou por alguns anos... As consequências... A empresa foi vendida por menos da metade do valor que quando comprada há cinco anos, e sua posição no mercado ficou bastante abalada.
Portanto é importante reconhecer o valor de empreendimentos que crescem ano após ano, mantendo uma estrutura de comando clara e constante, dando segurança ao mercado e principalmente a seus colaboradores.
Há de se pensar que nem todas as soluções passam inexoravelmente pelas amputações, e que o mais importante, é um controle constante dos tais índices e fatores já mencionados, para que os rumos sejam corrigidos com a agilidade necessária evitando atitudes mais drásticas. Felizmente, essas considerações são exceções, pois a maioria das empresas tem comandos sólidos e as transações que acontecem no mercado são feitas de forma competente amenizando assim os traumas pertinentes.
- EDILBERTO WICKBOLD é empresário do setor de alimentos.





