A 'roupa' que veste o produto
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Quem nunca se deparou com a situação de não conseguir abrir um sachê de catchup, romper um lacre ou desrosquear a tampa de algum produto? Independentemente do segmento, o consumidor tem uma relação direta com todo tipo de embalagem, tornando-as fundamentais na ligação entre o cliente, o produto e a marca em questão. Dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) indicam que 75% das empresas que investem em design de embalagens acabam aumentando suas vendas, sendo que 41% delas conseguem aliar esse crescimento a uma redução nos custos de produção. A FOLHA conversou com especialistas no assunto sobre as novas tendências do setor, visitou empresas de pequeno e grande porte que produzem embalagens e mostra como o Paraná está posicionado neste ramo.
Segundo informações da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), falta investimento em propagandas diretas, por isso, as embalagens acabam tendo papel fundamental no momento de expor o produto. Para Carlos Zardo, coordenador do comitê de design da Abre, de uns dez anos para cá as empresas estão mais conscientes sobre a importância de investir no segmento. ''A partir de uma boa embalagem pode-se comunicar todos os atributos do produto e manter uma relação de fidelidade do consumidor com a marca. Ela atende os anseios do cliente em relação a segurança, praticidade, funcionalidade e bem-estar'', exemplifica.
Entretanto, apesar das barreiras tecnológicas terem diminuído, grandes empresas ainda são bem conservadoras na hora de alterar os parâmetros de especificação das suas criações. ''Muitas vezes uma pequena mudança na embalagem resolve o problema, facilitando bem a vida do consumidor. A tendência agora é termos embalagens mais baratas, leves, com alta tecnologia e menor consumo de matéria-prima'', avalia José Pedro Cruz, gerente da área de desenvolvimento da Dixie Toga, que integra a Bemis Company. A indústria alocada em Londrina é uma das principais responsáveis por tornar o Paraná o segundo maior produtor de embalagens do País, com 9,21% da produção, perdendo apenas para São Paulo, com 50,49%.
E foi apostando na inovação que uma pequena empresa de embalagens de Ibiporã está conquistando seu espaço no setor. Numa área de três mil metros quadrados e 50 funcionários, a Vitaflex produz cerca de 100 toneladas de embalagens por mês, utilizando uma técnica de produção ainda rara no Brasil, a coextrusão - utilização de várias camadas na fabricação de cada parede da embalagem . ''Apenas 20 indústrias no País utilizam essa técnica. Já quando tratamos da produção comum, há pelo menos duas mil indústrias só no Paraná'', comenta Fernando Antonio Palu, um dos proprietários da empresa.
Com tal tecnologia, Palu consegue agregar maior valor nas embalagens, aliando rapidez na entrega e qualidade de ponta. ''Desde que montamos a empresa, há seis anos, estamos crescendo cerca de 10% ao ano. Como atendemos diversos setores e pedidos com volumes menores, nosso faturamento acaba ficando bem pulverizado'', comenta.
Para o empresário, produzir embalagens é um trabalho que se assemelha ao de um alfaiate, já que cada produto requer um tratamento especial. ''Pensamos sempre no desenvolvimento de novas embalagens, visamos mais a qualidade do que a altíssima produtividade'', finaliza.


