Apucarana - O cenário é promissor: empresas com maquinário milionário, criação de produtos diferenciados e ações de marketing que atinjam todo o Brasil. Se para sobreviver é preciso reinventar, as indústrias de bonés de Apucarana estão no caminho certo. Com uma produção de seis milhões de peças mês e um faturamento que supera os R$ 30 milhões, as 200 indústrias do munícipio estão conseguindo transformar o boné de um simples artigo promocional para um acessório fundamental na moda.
Segundo Jayme Leonel, coordenador do grupo gestor do Arranjo Produtivo Local (APL) de Apucarana, essa mudança de pensamento na confecção do artigo fez toda a diferença para o crescimento de faturamento nos últimos anos. ''De 2003 a 2008, estávamos crecendo em média 10% ao ano. Tivemos um retrocesso em 2009 devido à crise, mas voltamos a respirar nesse último semestre. A criação de marcas próprias e o aumento significativo das vendas para grandes lojas de departamentos (magazines) está sendo essencial'', avalia.
No último mês de julho, foi sancionada uma lei federal que finalmente tornou Apucarana a ''Capital Nacional do Boné'', o que fez com que a responsabilidade sobre a criação de novos produtos ficasse ainda maior. ''Estamos superando o mercado chinês pela nossa variedade de produtos. Há empresas, por exemplo, que chegam a fazer 600 protótipos por mês, sendo que chegam nas magazines apenas três ou quatro deles. O trabalho é intenso'', comenta Jayme.
Entretanto, todo esse desenvolvimento também passou por percalços, principalmente em 2006, quando foi proibida a produção de bonés promocionais em campanhas políticas. ''Criamos dispositivos para enfrentar as situações adversas. Estamos trabalhando para que o boné seja obrigatório no uniforme escolar. Já produzimos um lote com 2,4 milhões de bonés para alguns colégios'', conta Valdenilson Vado Domingos da Costa, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Bonés e Similares (Anibb), criada em 2005.
Uma das empresas que conseguiram se adequar ao novo mercado com força foi a Bonelli Bonés. Com uma produção de seis mil peças por dia num espaço físico de sete mil metros quadrados, a empresa realiza todos os processos para a criação do acessório, desde o corte, passando pelo bordado e silk até o acabamento. 50% do faturamento da Bonelli vem das lojas de departamentos, seguido pelas private labels (produção de bonés para grandes marcas), com 35%, promocionais, 10%, e marcas próprias, com 5%. ''Os bonés promocionais perderam espaço, por isso estamos investindo nos artigos de conceito'', explica Rodrigo Begalli, proprietário da Bonelli, que hoje tem um faturamento médio de R$ 10 milhões anuais.
O empresário comenta que a maior parte da sua produção - cerca de 80% - ainda é direcionada para São Paulo, onde estão localizados os grandes centros de distribuição do País. ''Investimos cerca de R$ 5 milhões em maquinário para a produção dos bonés. As inovações estão voltadas atualmente para novas modelagens e também tecidos diferenciados. Espero fechar este ano com um crescimento de 20% a 30% em relação ao ano passado, atingindo a casa dos R$ 15 milhões'', completa Begalli.

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