A razão do atraso é a demora
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quarta-feira, 01 de março de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Durante sua visita ontem a São Tomé (117 km a nordeste de Umuarama), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, procurou se esquivar das perguntas sobre os sete focos de febre aftosa no Paraná. Ele alegou desconhecer o pedido dos produtores de necropsia em parte do rebanho que terá que ser sacrificado e disse que a demora na confirmação de seis novos focos no Estado ocorreu ''porque as coisas tecnicamente se arrastaram mais do que se esperava''. ''A razão do atraso é a demora, como diz o caboclo. Lamentamos profundamente isso para pequenos, médios e grandes (produtores) porque o Estado do Paraná foi muito sacrificado nesse processo e o Brasil também foi sacrificado'', disse.
Ele acrescentou que a partir da posição do governo estadual (de liberar recursos para realização das valas) e dos pecuaristas (que concordaram em não impetrar ação judicial) espera ''que as coisas se resolvam da maneira mais rápida possível''.
Segundo o superintendente do Mapa no Paraná, Walmir Kowaleswki de Souza, o ministro foi informado ontem mesmo do pedido de necropsia por parte dos produtores. Segundo ele, a equipe técnica do Mapa já iria discutir o pedido e que, hoje, teria uma posição sobre o assunto. O vice-governador Orlando Pessuti, secretário estadual de Agricultura lembrou que a necropsia irá provar que o rebanho paranaense não desenvolveu a doença e que nem mesmo houve circulação viral no Estado.
A necropsia nos animais que apresentaram reação positiva nos exames de sorologia foi condicionada pelos pecuaristas para que a discussão não fosse levada à Justiça, o que atrasaria ainda mais o fim desse impasse. Os pecuaristas querem que a necropsia seja realizada no laboratório da Panaftosa, no Rio de Janeiro. Segundo Kowaleswki, o ministro desconhecia todo esse imbróglio judicial. Sobre a situação da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira, o superintendente disse que a procuradora da União em Londrina irá procurar o advogado do pecuarista André Carioba, Ricardo Rocha Pereira, para fazer um acordo.
Segundo ele, existe a hipótese de a União retirar o agravo regimental impetrado no Tribunal Regional Federal da 4 Região na última sexta-feira. A Justiça Federal de Londrina determinou o pagamento antecipado da indenização para que ocorra o sacrifício dos animais. ''Além disso, estamos aguardando a decisão do Tribunal que deve dar um parecer sobre esse pagamento entre hoje (ontem) e amanhã (hoje)'', afirmou. Pessuti afirmou que mesmo o Paraná não concordando com os focos confirmados pelo Mapa seriam adotadas todas as medidas acordadas com a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE).
''Mesmo não concordando estamos fazendo a nossa parte, liberando os recursos e nomeando as comissões de avaliação. Agora queremos que o ministério autorize a necropsia nos animais e que agilize, junto à Advocacia Geral da União, as avaliações dos pareceres das comissões'', comentou Pessuti.


