A preço de banana, ações podem ser uma boa opção
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terça-feira, 02 de julho de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Desespero para uns, oportunidades para outros. O investidor de perfil mais agressivo, que não vai precisar do dinheiro nos próximos cinco anos, deve procurar a Bolsa de Valores agora e comprar ações de grandes companhias a preços bem abaixo de seus valores reais. A dica é de dois especialistas consultados pela FOLHA. Por outro lado, quem não quer correr risco e pode precisar das economias a qualquer hora deve passar longe deste mercado.
Rafael Franco, gerente da filial da Corretora TOV em Londrina, ressalta que há uma série de fatores externos e internos a pressionarem a bolsa para baixo. Ontem, o Ibovespa fechou novamente em queda, a 47.229 pontos. "A fuga de capital dos emergentes, principalmente da China, em direção aos Estados Unidos, em função dos estímulos do FED (banco central norte-americano), é o principal ingrediente deste processo", declara.
Ele explica que, em função disso, o dólar vem subindo no mundo todo e especialmente no Brasil. "Aqui, o ambiente interno é um fator a mais: a inflação e os juros em alta", afirma. O resultado é o aumento da procura por investimentos mais seguros, que "têm retaguarda na Selic". "No momento de incerteza, o investidor se resguarda", declara.
O gerente afirma que o "mercado entrou em pânico" e que o valor de muitos ativos estão abaixo do patrimônio líquido das empresas. "Por isso, há umas 20 empresas recomprando suas ações, vendo uma oportunidade no futuro", destaca.
Quem tem coragem e dinheiro deve investir preferencialmente, segundo o corretor, nas empresas de energia elétrica. "Elas fazem parte do chamado setor defensivo. Quando os preços das commodities estão em quedas, é para este tipo de papel que os investidores vão", declara. A Eletrobras é uma boa dica, segundo o corretor. "Trata-se de um papel que remunera entre 20% e 25% ao ano e está com preços bem descontados", informa. As medidas tomadas pelos governos federal e estadual para baixar ou conter as tarifas de energia ajudaram a derrubar as ações das empresas do setor.
Franco lembra que a Bolsa brasileira terminou o semestre com perda acumulada de 22% e que o momento de voltar a subir não deve demorar. Para dezembro, ele estima que o Ibovespa atinja os 50 mil pontos.
Economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Basílio Pereima Neto, considera que tudo depende do perfil do investidor. "O conservador não vai colocar dinheiro em Bolsa, principalmente neste momento. Ele vai para a caderneta de poupança", declara.
O professor também acredita ser este o momento ideal para os agressivos, que não vão precisar do dinheiro a curto prazo, buscarem a Bolsa de Valores. "A hora é agora. A tendência para médio e longo prazos é de ganhos mais sólidos. Mais cedo ou mais tarde, ela vai voltar aos 60 mil pontos", alega.
De acordo com Pereima Neto, quem vai investir em imóvel também deve avaliar o mercado. "O mercado imobiliário está no auge de um ciclo de valorização. Os preços estão muito altos. Não acho que exista uma bolha prestes a explodir, mas uma tendência de estagnação nos valores dos imóveis", afirma. Ou seja, quem comprar imóvel agora não deve esperar grandes lucros.


