A possibilidades de aplicação dos créditos
Curitiba ''Antes do Protocolo de Kyoto, a poluição era só dor de cabeça para o setor privado, agora virou negócio. Já existem empresas no Paraná que começaram a implantar projetos para reduzir a emissão de gases poluentes. Tem uma que trocou o combustível das caldeiras por bagaço de cana com esse objetivo'', informa o biólogo Roberto Akira, gerente da Divisão de Tecnologias Sociais do Instituto de Tecnologias do Paraná (Tecpar) órgão que está em fase final de credenciamento junto a ONU para ser um certificador dos projetos de MDL.
É o próprio especialista quem cita outras possibilidades de aplicação de créditos de carbono, como em aterros de resíduos sólidos. ''Não é a mesma coisa que lixão. O aterro tem um controle ambiental mais rigoroso e dispõe de uma manta que permeabiliza e não deixa o chorume contaminar o solo, nem o lençol freático'', explica Akira, dizendo que no panorama brasileiro, a degradação do lixo ocorre nos aterros sanitários sem a presença do oxigênio, produzindo o gás metano, um agente altamente causador do efeito estufa o metano é 21 vezes mais poluente do que o CO2.
De acordo com ele, existe um sistema de coleta e queima de gases poluentes produzidos nos aterros, evitando que sejam liberados para a atmofesra. ''Se o dono do projeto comprova a coleta dos gases e sua posterior queima, ele pode estar solicitando os créditos'', ensina.
Outra possibilidade seria o tratamento de dejetos animais através de biodigestores, um sistema fechado, feito de lona, aço ou alvenaria, que coleta e queima gases poluentes. O biodigestor impede a entrada de bactérias que se desenvolvem com a ausência do oxigênio e a posterior metabolização dos dejetos animais.
A atividade da suinocultura é considerada pelo Instituto Ambiental do Paraná um dos dois problemas ambientais mais sérios da região oeste do Estado. da forma como é praticada gera grande volume de dejetos num ponto concentrado, o que compromete a qualidade da água já que escorre para os rios, lagos e lençol freático e produz gás metano, como consequência da forma que é armazenado. ''Se implantar um biodigestor, estará deixando de eliminar o gás metano e ainda o óxido nitroso, sendo este último 310 vezes mais causador do efeito estufa do que o CO2'', acrescenta Akira.
No entanto, o biodigestor sozinho não tem 100% de eficiência. ''Vai diminuir bastante a carga de poluição, mas se o produtor deseja ficar em dia com os órgãos ambientais deve buscar uma complementação ao tratamento do biodigestor'', alerta. O biólogo destaca ainda os clorofluorocarbonos (CFCs), gases que chegam até ser 10 mil vezes mais poluentes do que o CO2. ''Os CFCs estão envolvidos na produção de geladeira, ar condicionado e alguns tipos de sprays. A maioria das indústrias não os utilizam mais, porque se trata de um gás refrigerante duplamente perigoso, causa o problema na camada de ozônio e aumenta incidência de câncer. Mas ainda são utilizados'', conta Akira. (F.G.)





