A PDe o novo surto econômico do Paraná - Gilmar Mendes Lourenço
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de janeiro de 1998
Gilmar Mendes Lourenço 
Ao contrário do surto econômico dos anos 70, a nova impulsão da economia paranaense depende de decisiva atuação financeira da órbita privada, por meio da identificação de oportunidades e da operação de projetos de ampliação e melhoria da eficiência da infra-estrutura.
Na verdade, o boom expansivo da década de 70, ancorado em atividades mais leves e menos sofisticadas tecnologicamente, foi antecedido por vultosas inversões públicas - em geração de energia elétrica e construção de rodovias, ferrovias, porto marítimo e rede de armazenagem pública - e pela disponibilização de recursos para investimento e giro das empresas, sustentadas e subsidiadas pelo Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE).
O Fundo era composto por um adicional restituível de 2% sobre o Imposto de Vendas Consignações e Transações (IVC) - transformado em Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM) com a reforma tributária de 1966 - de 4,5% (carga total de 6,5%), representado um verdadeiro orçamento paralelo de gastos públicos. Presentemente, o fluxo de recursos do FDE depende de dotações orçamentárias, da carteira de créditos em liquidação do extinto Banco de Desenvolvimento do Paraná (BADEP) e dos royalties de energia elétrica, perfazendo um montante anual próximo de R$ 110 milhões.
Sem dúvida, a infra-estrutura física representa um requisito indispensável para a atração e/ou expansão industrial. No entanto, o desenho de um novo padrão de crescimento dominado pela penetração ou ampliação de ramos de maior exigência tecnológica remete à necessidade de rápida consolidação da base estadual em ciência e tecnologia de forma a viabilizar a chegada dos segmentos industriais integrantes e/ou complementares da vanguarda tecnológica.
Nessa perspectiva, seria oportuna a busca de uma melhor concatenação entre centros de pesquisa, universidades, institutos tecnológicos e segmentos produtivos, visando colocar o Paraná na fronteira tecnológica, ainda que com certo retardo. Esse esforço poderia começar pela tentativa de entrosamento de experiências isoladas, como o projeto da Usina de Xisto de São Mateus do Sul, o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), o Instituto Tecnológico do Paraná (TECPAR), o Laboratório Central da Copel (LAC), o Centro de Integração Tecnológica do Paraná (CITPAR) e o Parque de Software da Cidade Industrial de Curitiba.
Tal caminho pode facilitar o estabelecimento de outros ramos de ponta no Estado e a incorporação ou acompanhamento das inovações que se operam nas economias avançadas, preponderamente quanto à difusão de tecnologias intensivas em informação e comunicação. Nesse ponto, assume papel crucial o artigo 205 da Constituição Estadual, que prevê a alocação de 2% do orçamento para pesquisa científica e tecnológica, abrindo espaço para dispêndios crescentes em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), criação de novos conhecimentos e constantes alterações em processos e produtos.
Ainda dentro do enfoque tecnológico, mas com um corte eminente regional, uma adequada percepção e aproveitamentos das peculiaridades deveria inevitavelmente, contemplar a possibilidade de multiplicação da presença do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) no interior do Estado, por meio do aperfeiçoamento dos cursos de 2º grau e da implantação dos de 3º grau.
- GILMAR MENDES LOURENÇO é economista e coordenador do Grupo de Conjuntura do IPARDES.


