A recessão financeira mundial, que teve seu início no segundo semestre de 2008 e anuciada como apenas uma ''marola'' pelo Governo Brasileiro, trouxe impactos mais intensos à economia, especialmente para as pequenas e médias empresas. Segundo dados da Junta Comercial do Paraná, 20.246 empresas encerraram suas atividades entre janeiro e dezembro de 2009 por não terem como lidar com as dificuldades. Para Gilmar Lourenço, coordenador do curso de Economia da Fae Busness Scholl, o índice elevado de falências teve contribuição das decisões tomadas no início da crise e da descrença em relação às ações do governo. ''As medidas (econômicas) tomadas pelo governo não agradaram e tão pouco foram aceitas por parte dos empresários''.
No entanto, as empresas com estrutura financeira mais sólida apostaram na crise e aumentaram seus investimentos, assim puderam manter suas atividades. ''Poucas investiram durante a crise, a maioria optou pelo corte de gastos e agiram com maior cautela'', salienta Lourenço.
''A ousadia na crise é ser racional'', a frase de Lourenço deriva de uma máxima da economia. Na crise diminuem os gastos privados e aumentam os gastos públicos. No Brasil isso não foi diferente. A redução de impostos sobre veículos e de produtos da chamada linha branca fizeram com que o consumo, junto da construção civil, guiasse o País para águas menos turbulentas, e assim, a possibilidade de uma recuperação da economia, destaca.
Antes do início da derrocada fiananceira internacional, o Brasil vinha com um crescimento econômico de 6,6% ao ano. Entretanto com a crise a velocidade do crescimento foi menor, e o País passou a viver uma recessão econômica. O efeito crise pôde ser sentido durante dois trimestres (fim de 2008 e início de 2009), e sua recuperação só ocorreu a partir do terceiro trimestre de 2009, quando os indicadores apontaram um crescimento modesto em relação aos anos anteriores (1,1% ao ano).
Para 2010, o economista prevê uma recuperação menor em relação aos anos pré-crise, mas que podem motivar e reaquecer o mercado nacional. ''Há sinais positivos de recuperação'', lembra. Porém, alerta que é possível ocorrer um aumento da taxa de juros e crédito mais caros ao consumidor. ''As eleições contribuem para consolidar a política econômica, isso se deve a liberação de verbas (gastos públicos)'', comenta.
O economista afirma que o crescimento econômico ainda pode sofrer com os desdobramentos das crises nos países periféricos europeus. ''A Grécia pode causar uma crise parecida com a de 2008, caso chegue a quebrar''. Para que isso não ocorra, o Brasil deve estimular o mercado interno e reduzir as taxas de juros, ainda muito elevadas, sugere.
Apesar do consumo ter sido um dos responsáveis pela recuperação do crescimento, alguns produtos sofreram uma redução na procura. Exemplo é o empresário do ramo de informática Sandro Ramos. A sua empresa, estabelecida a doze anos no mercado, sofreu uma baixa nas vendas e com isso duas de suas quatro lojas foram fechadas em Curitiba. O rendimento das duas filiais representava 30% do faturamento mensal. A empresa atendia até o início da crise (julho de 2008) 5 mil empresas, das quais ao menos 1.5 mil fecharam as portas.
O empresário foi obrigado a demitir dezesseis funcionários em um período de seis meses. ''Antes da crise, onde tínhamos sete funcionários trabalhando, hoje são somente dois'', comenta Ramos. O investimento material também teve uma queda e o empresário reduziu a aquisição de novos equipamentos e produtos para a revenda.
Ao encerrar as atividades das duas filiais, Ramos encontrou outro problema. Como passar o ponto. Quando o comprou o empresário pagou algo em torno de R$ 30 mil reais, mas na hora de passar para a frente, teve que reduzir o valor e, mesmo assim não teve êxito. A saída foi entregar o ponto a imobiliária com todos os móveis. ''Não iria ficar pagando aluguel de um lugar que eu não estava usando'', lamenta.
Serasa
Um indicativo da melhora do cenário econômico brasileiro é representado pelo número de pedidos de falências de micro e pequenas empresas em fevereiro. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, divulgado ontem, o mês fechou com 106 pedidos, 8,6% a menos que os 116 requerimentos de janeiro, o menor índice em cinco anos. Segundo os economistas da instituição, a consolidação do crescimento econômico, especialmente a partir do segundo semestre de 2009, mais a redução da inadimplência, tanto das empresas quanto dos consumidores, têm melhorado a saúde financeira das empresas. (Com Agência Estado)

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