A ortodoxia dos juros
Enquanto a economia produtiva reclama da queda nas vendas por culpa das taxas de juros, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, exibe toda ortodoxia da política econômica e assume que (também) este governo utilizará o instrumento de política monetária para controlar a inflação.
Quem tem dúvida deve ler as entrelinhas das declações do presidente do BC nos jornais de hoje.
Em outras palavras: Meirelles manterá juros altos para que haja menos demanda. Menos demanda não inflaciona. Mas priva as pessoas de suas aspirações de consumo - o que também faz manter baixo o nível da atividade produtiva.
Ao falar ontem na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, no Rio de Janeiro, Meirelles deixou entrever que a taxa de juros é o instrumento para manter baixos os índices de preços, sugerindo, com isto, que as taxas serão mantidas em patamares altos. Ele, no entanto, descartou qualquer relação entre sua análise e o que deve oocrrer hoje e amanhã na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
A reunião do Copom é mensal para tratar de taxa de juros básicos, atualmente em extratosféricos 26,5%. Já esteve mais alto, porém. Mas em bons momentos da economia, dentro do plano real, chegou a cair para 15%. Retomou o processo defensivo no anos 2002/03.
Com um pequeno jogo de cintura, o BC, se quiser, pode reduzir a taxa para 25%. sem afrouxar a economia mas acenando com uma boa vontade flexível para empresas que estão na pior. Até porque são muitos os técncios dizendo que a conjuntura dispensa arrocho.
Não se deve ter medo da inflação num país sem consumo. A inflação está bem controlada pelo cinto cada vez mais apertado dos consumidores. Além desse ponto, a discussão é simplista e demasiado acadêmica.
Volta da ciranda -- Juros não agradam nem especuladores do mercado acionário. A perspectiva de que o Copom mantenha a Selic (taxa básica de juros) nos atuais 26,5% ao ano não agrada ao mercado a Bolsa. É que juros em patamares mais elevados favorecem os investimentos em renda fixa, em detrimento das aplicações na Bolsa.
Dólar/alimentos -- Queda do dólar transparece nos preços dos alimentos no atacado. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou ontem redução 2% nos preços dos alimentos medidos pelo IPA do IGP-M.





