A propaganda e as ações de marketing cada vez mais têm o poder de influenciar na vida das pessoas. Anúncios veiculados em toda a mídia muitas vezes conseguem, mesmo que inconscientemente, criar falsas necessidades de consumo, estimulando o surgimento da compulsão por gastos e compras. ''O consumidor brasileiro tem demanda reprimida e, por isso, temos observado o crescimento da inadimplência'', observou o economista João Carlos Cobres. Ele ministrou palestra recentemente sobre saúde financeira durante evento promovido pelo grupo Devedores Anônimos, em Londrina.
''Nunca as despesas podem ser maiores do que a receita'', afirmou Cobres. Segundo ele, o mercado - através do estímulo às falsas necessidades - e a facilidade de crédito estimulam as compulsões. ''O cartão de crédito, por exemplo, para quem não sabe usar é uma arma. Nesses casos, é melhor que ele seja quebrado'', comentou. Por isso, de acordo com Cobres, é necessário que todas as despesas sejam anotadas detalhadamente. Desta forma, os gastos podem ser visualizados e controlados. ''Faço isso há 15 anos e dá certo. Estatísticas mostram que as pessoas que fizeram essas anotações conseguiram sair do vermelho'', disse.
Uma dica do economista para as compras do supermercado é somente ir até o local com o estômago cheio, não levar crianças e, de preferência, que só as mulheres façam compras. ''Os homens têm tendência a gastar mais com itens que estão fora da cesta básica'', afirmou. Outra opção é substituir as atividades de lazer por outras com custos menores como um passeio de bicicleta ou uma caminhada. ''Deve haver uma substituição do antigo padrão de vida por hábitos que, muitas vezes, são mais saudáveis. Por exemplo, os gastos com guloseimas podem ser trocados por frutas e verduras, que são mais baratos e saudáveis'', argumentou.
Compras à prazo ou no crediário também devem ser esquecidas. ''Por conta dos juros altos é melhor esperar e comprar quando puder'', disse Cobres. Na sua avaliação, o não planejamento dos gastos é um hábito da cultura brasileira. ''Acredito que a 'alfabetização econômica' deveria fazer parte do currículo escolar para ensinar o equilíbrio das contas. O endividamento está presente em todas as classes sociais, das mais baixas às mais altas'', comentou. Ele ainda deu algumas dicas de economia.
Para economizar energia elétrica, por exemplo, deve-se passar a maior quantidade de roupas de uma só vez; utilizar a máquina de lavar roupas sempre com a capacidade máxima; trocar lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes; desligar o ''lead'' de aparelhos eletroeletrônicos (luz que permanece acesa mesmo quando o equipamento está desligado). ''O que a pessoa que tem compulsão por gastar deve fazer é evitar ocasiões de consumo como andar com pouco dinheiro na carteira e usar somente cartão de débito. A ocasião faz o compulsivo'', salientou.

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