A história da tentativa da Itaipu de instalar o gerenciamento de controle da hidrelétrica tem engrenagem emperrada. Os primeiros estudos técnicos para a instalação iniciaram em março de 88. Em março de 90, partiu-se para o contrato de ‘‘aquisição direta’’ - modalidade de compra facultado pelo Tratado de Itaipu - dos sistemas Scada e Mondig (o primeiro, pendente, é de controle externo dos geradores, o segundo, de controle interno das turbinas), mas a compra foi anulada.
Em 95, já com Euclides Scalco, a direção da Itaipu partiu para a licitação pública internacional, a exemplo do processo aberto agora para instalação de duas novas turbinas. Até aqui, a Siemens foi a única fornecedora das 18 turbinas instaladas. A concorrência para aquisição isolada do sistema ‘‘Scada’’ também acabou anulada por não cumprimento, por parte das interessadas, das exigências técnicas. Voltou-se à tentativa de licitação pública em 96 - quando a Landis-Inepar foi pré-qualificada junto com Cemagrup, toshiba e Siemes, mas, de novo, apontou-se desqualificação técnica e a concorrência voltou a ser anulada.
No início deste ano, o Conselho de Administração de Itaipu passou a discutir o retorno do instrumento da compra direta. A Siemens, detentora do fornecimento de praticamente todos os equipamentos da Itaipu, era a indústria da preferência da maioria dos conselheiros. O diretor-geral Altino Ventura Filho propôs a alternativa da ‘‘carta consulta’’ baseada em consultoria da IECO-ELC para fazer cair os preços e a idéia foi aprovada.
Os convites para as cinco indústrias internacionais foram enviados em outubro deste ano, quando Altino Ventura Filho respondia pela direção-geral da parte brasileira da binacional. Euclides Scalco ainda estava licenciado em função da coordenação da campanha de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A Inepar - que contribuiu com R$ 1,5 milhão em doações para a campanha de Fernando Henrique - soube informalmente dos convites às concorrentes e entrou com um pedido de esclarecimento junto à Itaipu e, segundo seu advogado, não teve retorno.
Em 25 de novembro, já com Scalco voltando à direção, houve resposta baseada no parecer da IECO-ELC, consultora da binacional desde a fase de projetos da hidrelética. Os argumentos da Itaipu não satisfizeram a Landis & Gyr Inepar. Na licitação pública de 96, o consórcio Landis-Inepar participou da concorrência e foi pré-qualificado com a apresentação do melhor preço (US$ 5,8 milhões). A licitação acabou cancelada por desqualificação técnica das propostas. A Inepar alega que, se foi pré-qualificada à época, tem condições agora de competir. (M.T.)

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