Nas regiões mais distantes do centro de Londrina há milhares de consumidores ávidos por produtos e serviços de qualidade, os mesmos que são encontrados nos bairros mais badalados da cidade. Escolas de idiomas, lojas de produtos naturais e cosméticos, pet shops, academias de ginástica, agências de viagem, centros de beleza... Tudo pode ser encontrado para atender a exigente e, agora, consumista classe C, que já representa 20,37% das famílias londrineses, de acordo com o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseado na classificação social do Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep). Sem perder tempo, os empresários migram principalmente para as regiões Norte e Leste do município e angariam clientes com velocidade impressionante.
De acordo com Marco Cunha, professor de finanças da Isae/FGV, a classe C descobriu que tem poder de compra e exige atendimento, qualidade e uma boa apresentação dos produtos no momento de colocar a mão no bolso. ''Tem que ter preço e a mesma apresentação oferecida para as classes A e B. A experiência de consumo criou um novo parâmetro de compra para estes clientes'', avalia.
Porém, Cunha explica que os empresários ainda devem que ficar atentos para as formas de divulgação e mix de produtos oferecidos, que ainda são diferentes dos que são ofertados para a classe A e B. ''Os centros das cidades já estão bem explorados e isso também auxilia que novos negócios migrem para os bairros''.
Cristovam Dias Junior, consultor do Sebrae-PR, concorda com o professor. Ele lembra que as grandes lojas do centro e dos shoppings da cidade já possuem unidades em bairros mais distantes, principalmente na Região Norte. ''A classe C cresceu 20% nos últimos cinco ano e já representa 55% da população brasileira. Hoje estes consumidores utilizam seu capital em produtos que nem imaginavam alguns anos atrás. A tendência do mercado, obviamente, é ir até onde cliente está''.
O consultor ressalta, portanto, que o empresário deve investir na profissionalização da gestão, com intuito de conseguir aliar preço e qualidade. Ele salienta também que o aumento dos empreendedores individuais - que hoje representam 4,5 mil formalizados em Londrina - também é prova da capacitação dos empresários nos bairros.

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