A nova face do empreendedorismo
Os resultados do ano 2002 do projeto GEM - Global Entrepreneurship Monitor, coordenado no Brasil pelo IBQP, com a orientação internacional do Babson College (EUA) e da London Business School (Inglaterra), serão divulgados simultaneamente em Curitiba e em Nova Iorque, no dia 13 de novembro. Na nova pesquisa, os dados irão revelar que o Brasil ainda encontra-se em relativa posição de destaque entre os 37 países pesquisados. No ano 2000, éramos os campeões isolados em empreendedorismo. Em 2001, aparecemos em quinto lugar. Já em 2002... Bem, estes dados, por força contratual, só serão revelados mesmo no próximo dia 13.
De qualquer forma, podemos adiantar que os resultados da pesquisa realizada entre os meses de maio e julho de 2002, abrangendo praticamente todo o território nacional, confirmam o dinamismo da população brasileira com sua predisposição para empreender e buscar, por seus próprios meios, a solução para a sua sobrevivência, não obstante todas os obstáculos e limitações que é obrigada a enfrentar.
A crescente adesão dos países ao projeto revela a importância cada vez maior dada à atividade empreendedora em todo o mundo, por sua contribuição para a geração de riqueza e criação de novos postos de trabalho. O modelo conceitual do GEM, que norteia a metodologia adotada para realizar a pesquisa de campo, considera que o nível de empreendedorismo de um país é fortemente vinculado a certas condições estruturais existentes, que podem tanto estimular como inibir a disposição e o ímpeto para empreender.
Dentre as condições negativas levantadas nas pesquisas anteriores, a falta de acesso e o custo do capital, a elevada carga tributária, bem como a dificuldade e a morosidade dos trâmites legais e fiscais têm sido identificadas de forma consistente. Os resultados do relatório 2002 têm grande probabilidade de confirmar este quadro. Por isso, é fundamental que a atividade empreendedora mereça, daqui para frente, uma atenção especial das três esferas de governo. Isto porque, além da própria natureza local da atividade empreendedora, existe o alcance nacional e mesmo internacional que os produtos e serviços gerados podem oferecer.
Os resultados do projeto GEM têm trazido à tona uma realidade nem sempre compreendida, especialmente nos aspectos mais característicos que diferenciam um empreendimento, com destaque para aqueles que necessitam de base tecnológica, vital para a geração de valor e para a conquista da autonomia do Brasil frente à competitividade mundial. No momento histórico pelo qual passa o País, quando uma nova proposta de desenvolvimento econômico e social é discutida, seguramente o empreendedorismo, com suas particularidades e necessidades próprias, deverá integrar a agenda de prioridades, contando - de forma efetiva e qualitativa - com políticas públicas e programas de apoio aos empreendedores.
Marcos M. Schlemm é coordenador geral do Projeto GEM Brasil no IBQP.
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